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Empreiteira doadora na campanha de Giroto cobra R$ 3,8 milhões para ‘elaborar projeto’

O contrato milionário não é o primeiro com a Consegv, quinta maior doadora na campanha de Edson Giroto, pagando fortunas por 'serviços técnicos'. Cada voto do deputado custou R$ 20,56 nas eleições de 2010.

Arquivo Publicado em 18/10/2011, às 16h06

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O contrato milionário não é o primeiro com a Consegv, quinta maior doadora na campanha de Edson Giroto, pagando fortunas por ‘serviços técnicos’. Cada voto do deputado custou R$ 20,56 nas eleições de 2010.

Mais uma empreiteira que deu dinheiro para a campanha de candidatos aliados ao governador André Puccinelli (PMDB) ganhou um contrato milionário com o Governo Estadual de Mato Grosso do Sul. Desta vez, a Consegv Planejamento e Obras LTDA vai receber dos cofres públicos R$ 3,8 milhões para elaborar o projeto de implantação de uma rodovia entre Rio Verde e Bonito.


Mas o valor total, de R$ 3.827.977,31 (Três milhões, oitocentos e vinte e sete mil, novecentos e setenta e sete reais e trinta e um centavos), não inclui a obra da nova estrada.


A fortuna será paga somente pela “execução da prestação dos serviços de elaboração de projeto executivo de engenharia para implantação e pavimentação de rodovia, com estudo de viabilidade técnica-econômica e ambiental (EVTEA) da rodovia BR-419/MS”, segundo o extrato do contrato publicado nesta terça-feira (17).


Nas eleições de 2010, a Consegv foi a quinta maior doadora na campanha de Giroto.


Por telefone, o gabinete do deputado afirma que não há nada de estranho na relação. “São empresários que acreditam no desenvolvimento de Mato Grosso do Sul e confiam na força de trabalho de Edson Giroto. Não há nenhuma relação entre os empreiteiros e o deputado”, afirmou a assessoria.


Mas, pelo menos na prestação de contas entregue pelo deputado ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o relacionamento está documentado. A Consegv doou R$ 163 mil reais para custear a eleição do ex-secretário de Obras de Mato Grosso do Sul.


Segundo o sucessor de Edson Giroto na secretaria de Obras, e ordenador de despesas da contratação, Wilson Cabral Tavares, os estudos para a rodovia BR-419/MS englobam o trecho entre a BR-163 em Rio Verde de Mato Grosso e as BRs 060 e 267 em Jardim, numa extensão de 233 Km.


Assim, a empreiteira que ajudou Giroto a ser eleito cobrará, se não houver termos aditivos aumentando o valor, mais de R$ 16,4 mil reais a cada quilômetro. O prazo para desenvolver o projeto é de 150 dias.


Para o Governo do Estado, a contratação da empreiteira por quase R$ 4 milhões para desenvolver apenas o projeto da rodovia se justifica pela localização da futura obra, que tem a maior parte dentro do Pantanal, e, por isso, precisaria de “complexo estudo de impacto ambiental e de viabilidade econômica”.


Não é o primeiro contrato milionário para a mesma empreiteira realizar “serviços técnicos”.


Em fevereiro deste ano, a mesma Consegv Planejamento e Obras Ltda abocanhou mais R$ 3.038.580,25 (Três milhões, trinta e oito mil, quinhentos e oitenta reais e vinte e cinco centavos) pela “supervisão, gestão ambiental e apoio técnico à desapropriação das obras do contorno ferroviário de Três Lagoas”.


Por telefone, a reportagem tentou falar com a Consegv, mas não conseguiu contato com alguém para falar oficialmente pela empreiteira.


Bolso dos empreiteiros


Apontado até por correligionários como candidato do governador André Puccinelli ao Congresso Nacional, Giroto foi eleito com a maior votação em Mato Grosso do Sul e teve a campanha custeada basicamente pelo bolso de empreiteiros e pelo mentor político.


Mesmo candidato pelo PR, Edson Giroto recebeu mais dinheiro do governador que a maioria dos candidatos pelo PMDB. Somente do comitê oficial de André Puccinelli (CNPJ 12.167.550/0001-89) foram R$ 1.024.150,00.


No total, a eleição de Giroto como deputado federal consumiu R$ 3.029.400,00. Como ele teve 147.343 votos, cada um custou R$ 20,56. O valor ficou acima da média em MS, que foi de R$ 17,61 para cada voto recebido pelos candidatos eleitos.


Agora cogitado como nome de Puccinelli para a sucessão na Prefeitura de Campo Grande, Giroto já trocou de partido e está de volta ao PMDB.

Jornal Midiamax