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Em pronunciamento, Obama diz que morte de Khadafi encerra capítulo “doloroso” para a Líbia

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou nesta quinta-feira (20) que a morte do ditador líbio Muammar Khadafi “marca o fim de um longo e doloroso capítulo para a Líbia”. Em pronunciamento na Casa Branca, em Washington, ele destacou a coragem do povo líbio para lutar contra o regime e disse que outras forças […]

Arquivo Publicado em 20/10/2011, às 18h21

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O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou nesta quinta-feira (20) que a morte do ditador líbio Muammar Khadafi “marca o fim de um longo e doloroso capítulo para a Líbia”. Em pronunciamento na Casa Branca, em Washington, ele destacou a coragem do povo líbio para lutar contra o regime e disse que outras forças autoritárias terão o mesmo fim.


Mais cedo, a morte foi confirmada a autoridades americanas pelo premiê interino da Líbia, Mahmoud Jibril. O líder militar do CNT (Conselho Nacional de Transição), Abdel Hakim, também já havia dito, em entrevista à TV Al Jazeera, que a informação sobre a morte de Khadafi havia sido repassada aos Estados Unidos.


O ministro da Informação do CNT, Mahmoud Shammam, também confirmou a morte de Khadafi à rede americana CNN. Segundo Shamman, “hoje é dia de grande vitória para o povo líbio”.
A TV Al Jazeera informou ainda que o corpo do ex-líder líbio foi colocado em uma mesquita em Misrata. A televisão Al Arabiyya confirmou que o corpo de Khadafi estava em Misrata, só que em um centro comercial no bairro de Souq Tawansa.


O porta-voz do CNT em Misrata, Abdullah Berrassali, também confirma a morte do ex-ditador Khadafi. O canal de TV Al Jazeera já veicula uma imagem do corpo do ditador, supostamente morto.
Outras fontes como o Conselho Militar de Misrata e o líder Abdel Majid, do CNT, apenas afirmam que o ex-ditador está ferido. “Ele foi capturado e está ferido nas duas pernas”, afirmou Abdel Majid, um dos líderes do Conselho Nacional de Transição, à agência Reuters. “Khadafi foi levado por uma ambulância”, acrescentou.


Um vídeo que circula entre os combatentes do CNT em Sirte mostra imagens feitas com um telefone celular do que aparenta ser o corpo de Khadafi ensanguentado. Nas imagens granuladas, observadas por um correspondente da AFP, vários ativistas do CNT gritam de maneira caótica ao redor de uma pessoa de uniforme cáqui com sangue no rosto e pescoço. O corpo é levado pelos combatentes e colocado em uma caminhonete.


Uma fotografia feita a partir de uma imagem pausada de um celular e obtida pela agência AFP supostamente mostra Khadafi muito ensanguentado, mas ainda não está claro se ele estava vivo ou morto no momento da foto. Na imagem, o ex-ditador está com sangue no rosto e nas roupas.
No entanto, o site de uma televisão pró-Khadafi, a Al-Libya, negou nesta quinta-feira “a captura ou a morte” do líder deposto. “As informações espalhadas pelos lacaios da Otan sobre a captura ou a morte do irmão dirigente Muammar Khadafi não têm fundamento”, indicou a televisão, afirmando que ele goza de “bom estado de saúde”.


Segundo o depoimento de um rebelde líbio para a agência Reuters, Khadafi estava escondido em um buraco em Sirte e quando foi encontrado começou a gritar “não atirem, não atirem”.


A informação da captura do ex-ditador foi divulgada logo após a tomada de Sirte, cidade natal de Khadafi e último reduto de forças leais a ele, pelos rebeldes líbios.


Um dos filhos do ex-ditador, Muatassim, foi achado morto em Sirte, informou à AFP Mohamed Leith, comandante das forças do novo regime líbio que combate nesta cidade.


Entenda o conflito:
“Nós o encontramos morto. Colocamos seu corpo, assim como o de (ministro da Defesa do antigo regime líbio) Abubakr Yunes Jaber, em uma ambulância para levá-los para Misrata”, indicou o militar.


Os confrontos na Líbia começaram em 15 de fevereiro deste ano, quando 2.000 manifestantes protestaram em Benghazi contra a prisão de um ativista de direitos humanos e contra os governantes corruptos.


Apesar da repressão, os rebeldes líbios conseguiram a simpatia da comunidade internacional. Em 17 de março, um mês após o início dos conflitos, a ONU (Organização das Nações Unidas) aprovou a resolução 1973, que permite que os países aliados à Otan interviessem e tomassem “todas as medidas necessárias” para proteger a população civil.


A medida deu espaço para que os países da Otan, especialmente os EUA, o Reino Unido e a França, iniciassem bombardeios aéreos contra Trípoli e outras cidades como Benghazi e Misrata.
Ao mesmo tempo, começou o isolamento internacional de Muammar Khadafi. Muitos países já reconhecem o Conselho Nacional de Transição como órgão legítimo do governo na Líbia.


Os nove meses de confrontos causaram muitos prejuízos para o país: milhares de pessoas morreram nos combates entre rebeldes e o governo; estima-se que, desde o início do conflito, mais de 1,2 milhão de pessoas tenha deixado a Líbia, criando uma crise humanitária. Muitos dos refugiados líbios se dirigiram à Lampedusa, ilha na Itália

Jornal Midiamax