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Em MS, dois juízes federais estão na mira de criminosos, diz associação dos magistrados

Odilon de Oliveira, que age no combate ao crime organizado recebe proteção há 13 anos; juíza em Ponta Porã reclama da segurança.

Arquivo Publicado em 03/05/2011, às 11h19

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Odilon de Oliveira, que age no combate ao crime organizado recebe proteção há 13 anos; juíza em Ponta Porã reclama da segurança.

Ao menos 40 dos cerca de 300 juízes federais de varas criminais do Brasil estão sob ameaça do crime organizado -ao menos 1 em cada 8 magistrados federais, diz reportagem publicada nesta terça-feira pelo jornal Folha de S. Paulo.

Há casos de juízes, narra o diário paulista, que têm os passos monitorados por criminosos, abdicam de sua vida social e acabam pedindo transferência para outros Estados.

A pesquisa acerca da segurança dos magistrados foi preparada pela Ajufe (Associação dos Juízes Federais), que considera insuficiente a proteção oferecida aos magistrado, a cargo da Polícia Federal.

O corte no orçamento da PF teve consequência imediata na proteção dos juízes.

O único juiz federal que recebe proteção permanente da PF, Odilon de Oliveira, afirma que foi reduzido o número de agentes que faziam sua segurança.

Especializado no combate a crimes financeiros e ameaçado de morte por organizações que atuam na fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai, Oliveira recebe proteção há 13 anos.

Sua segurança, antes a cargo de nove agentes, hoje é feita por seis. As equipes foram completadas com agentes de segurança patrimonial da Justiça. “Não é um pessoal treinado e serve apenas de motorista”, diz.

Em fevereiro, a PF descobriu um plano para matar a juíza Lisa Taubemblatt, de Ponta Porã (MS).

O ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) anunciou proteção especial a ela, que atua em um processo contra uma quadrilha de tráfico de drogas e armas.

Mas, segundo a juíza, os agentes só apareceram cerca de duas semanas após a promessa e foram embora dias depois. “O carro deles ficou dias parado lá [em frente à vara], e ainda de forma irregular. O máximo que ele fazia era estragar o gramado.”

Outros juízes ameaçados contam somente com a proteção dos seguranças das varas em que trabalham -caso de 3 dos 10 que atuam em varas criminais do Rio.

Uma delas é Adriana Cruz, que julgou casos relacionados à máfia de jogos ilegais.

“Sua proteção é tão precária que ela comprou com o próprio dinheiro um carro blindado de segunda mão”, diz o presidente da Ajufe, Gabriel Wedy, que conversou com os 40 juízes ameaçados.

Para o juiz Pedro Francisco da Silva, que julgou no Acre quatro processos contra a organização criminosa liderada pelo ex-deputado Hildebrando Pascoal, a proteção deve ser garantida mesmo após os julgamentos.

Silva teve sua casa invadida por homens armados em 2008, oito anos depois das primeiras condenações do caso. Três anos antes, a polícia já prendera pistoleiros contratados para matá-lo. “Mudei minha rotina, mandei meus filhos para outro Estado. O único lugar que eu frequentava era o supermercado”, diz.

A Ajufe defende a criação de uma polícia judiciária, dedicada exclusivamente à proteção dos magistrados. (com informações da Folha S. Paulo).

Jornal Midiamax