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Egito vive caos e violência em nono dia de protestos contra o governo

O Egito vive um dia de caos e violência no nono dia de protestos contra o governo do presidente Hosni Mubarak. Líderes da oposição acusaram o governo de usar policiais à paisana para agredir os milhares de manifestantes que pedem o fim do regime, que já dura três décadas. A praça Tahrir, centro dos protestos […]

Arquivo Publicado em 02/02/2011, às 15h26

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O Egito vive um dia de caos e violência no nono dia de protestos contra o governo do presidente Hosni Mubarak. Líderes da oposição acusaram o governo de usar policiais à paisana para agredir os milhares de manifestantes que pedem o fim do regime, que já dura três décadas.

A praça Tahrir, centro dos protestos no Cairo, foi palco de uma pancadaria nesta quarta-feira (2), quando partidários de Mubarak e opositores invadiram o local, onde estavam acampados milhares de opositores, mostraram imagens da TV americana CNN.

Há relatos de pessoas feridas, algumas com gravidade. A rede de TV Al Jazeera estimou que cerca de cem pessoas foram vistas sendo carregadas com ferimentos para fora da praça. E, enquanto os confrontos acontecem, o Exército procura não interferir, segundo o jornal britânico The Guardian.

Em entrevista, o embaixador do Brasil no Cairo, Cesário Melantonio Neto, disse que os militares vinham controlando a entrada de armas e pessoas na praça até esta quarta-feira, o que vinha evitando conflitos.

– Hoje essa situação mudou. Eu não sei se essas pessoas conseguiram entrar ou se deixaram entrar. No futuro vamos conseguir saber.

O líder da oposição, o Nobel da Paz Mohamed ElBaradei, disse à rede britânica BBC que os confrontos na praça Tahir são “um ato criminoso de um regime criminoso”, segundo o jornal britânico The Guardian. Ele pediu que Mubarak saia imediatamente do poder.

Mas, ainda de acordo com o Guardian, Habib al Adli, negou alegações de que policiais à paisana estariam disfarçados entre os simpatizantes de Mubarak.

Manifestantes chegaram de ônibus

Um correspondente do jornal The New York Times relatou ter visto os partidários de Mubarak chegando à praça de ônibus. A CNN exibiu cenas ao vivo de homens a cavalo e a camelo, que, em seguida, entraram no meio da multidão e distribuíram golpes nos manifestantes.

Não se sabe de onde surgiram esses homens montados, que não levavam faixas nem vestiam uniforme. Nos dias mais violentos de manifestações contra Mubarak, que já duram mais de uma semana, policiais à paisana foram acusados de abusos.

As imagens também mostraram o atendimento a feridos pelo episódio violento. A concentração contra o regime tem reunido famílias inteiras, inclusive crianças pequenas, no centro do Cairo. A situação seguia tensa, com lançamento de pedras e pessoas desorientadas tentando fugir do local.

As Forças Armadas aparentemente não interferiram na situação, e a polícia já não patrulha mais as ruas desde o último fim de semana.

Os partidários estenderam faixas nas proximidades do prédio da televisão nacional, a um quilômetro da praça Tahrir, no centro da cidade, onde acontecem os protestos diários contra o presidente. Nas faixas era possível ler mensagem como a transcrita abaixo, de acordo com a agência de notícias France Presse.

– Sim a Murabak para proteger a estabilidade. Sim ao presidente da paz.

Governo Mubarak enfrenta sua pior crise

No início do nono dia dos protestos, milhares de manifestantes contrários ao presidente, que passaram a noite no local em desafio ao toque de recolher, amanheceram nesta quarta com gritos de pedidos de renúncia de Mubarak.

Os manifestantes gritavam à medida que deixavam as barracas montadas na praça, um dia depois de uma mobilização de 1 milhão de pessoas em todo o país.

O Egito vive a maior onda de manifestação contra Mubarak, desde que ele assumiu o controle do país em outubro de 1981. Ele realizou um pronunciamento na noite desta terça-feira (1º) no qual disse que não irá concorrer a um novo mandato, mas não satisfez os manifestantes. Mubarak perdeu o apoio dos Estados Unidos e está praticamente isolado, com a maior parte das Forças Armadas do lado dos manifestantes.

Jornal Midiamax