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Economista da FGV questiona se mercado interno conseguirá sustentar economia brasileira

A redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos eletrodomésticos da linha branca, anunciada nesta qunta-feira (1º) pelo Ministério da Fazenda, deve surtir efeitos positivos na economia. No entanto, especialistas têm dúvidas se o estímulo ao mercado interno será suficiente para manter o crescimento econômico do país. De acordo com o pesquisador na área de […]

Arquivo Publicado em 01/12/2011, às 16h01

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A redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos eletrodomésticos da linha branca, anunciada nesta qunta-feira (1º) pelo Ministério da Fazenda, deve surtir efeitos positivos na economia. No entanto, especialistas têm dúvidas se o estímulo ao mercado interno será suficiente para manter o crescimento econômico do país.


De acordo com o pesquisador na área de finanças públicas e crédito da Fundação Getulio Vargas (FGV) Gabriel Leal de Barros, a redução do IPI para a linha-branca já foi adotada, com sucesso, em 2009, para enfrentar a crise econômica mundial.


No entanto, dois anos depois, dados do Banco Central mostram que o nível de endividamento das famílias brasileiras está muito alto, o que pode comprometer seu poder de compra, mesmo com a redução do IPI.


“Até onde esse estímulo do mercado interno via aumento do consumo das famílias se sustenta dado o atual nível de endividamento das famílias? Até onde é possível avançar dado esse estoque de dívida que as famílias têm hoje em mãos?”, questiona Barros.


Segundo ele, outra questão é saber que impactos a desoneração do setor industrial pode ter na arrecadação do governo federal. “Nós ainda não temos uma medida de quanto isso vai custar em termos fiscais, de qual o tamanho dessa desoneração. É claro que toda desoneração, na medida em que vai incentivar o consumo, gera um efeito multiplicador na economia. Mas qual o impacto disso? A questão fiscal está muito apertada. O governo não tem muitas condições de abrir mão de receitas”, disse.


De acordo com o pesquisador, é preciso aguardar os efeitos dessa medida, para saber se o governo precisará adotar novas políticas contra a crise econômica mundial.

Jornal Midiamax