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Cresce a preocupação das famílias com o futuro da economia, diz Ipea

O anúncio do corte dos gastos públicos e o aumento da taxa básica de juros (Selic) podem ter sido responsáveis pela queda do Índice de Expectativas das Famílias (IEF) de fevereiro, divulgado hoje (10) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A avaliação é do presidente do instituto, Marcio Pochmann. O índice reflete a avaliação […]

Arquivo Publicado em 10/03/2011, às 18h17

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O anúncio do corte dos gastos públicos e o aumento da taxa básica de juros (Selic) podem ter sido responsáveis pela queda do Índice de Expectativas das Famílias (IEF) de fevereiro, divulgado hoje (10) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A avaliação é do presidente do instituto, Marcio Pochmann.

O índice reflete a avaliação dos brasileiros em relação à situação socioeconômica do país. O indicador fechou fevereiro com 65,3 pontos (em uma escala de 0 a 100), um pouco abaixo do verificado em janeiro (67,2 pontos), o mais alto da série, iniciada em agosto de 2010.

Segundo a pesquisa, o brasileiro ainda está otimista, mas demonstra preocupação com as medidas de austeridade fiscal anunciadas por governos estaduais e pelo governo federal. Entre essas medidas estão o corte de despesas e a suspensão de concursos públicos e contratação de funcionários.

“Isso impõe para aqueles que tomam crédito um custo adicional não previsto originalmente”, destacou o presidente do Ipea. “São medidas que apontam para maior desaceleração da economia, com consequências no mercado de trabalho e na decisão de gastos das famílias”.

Os reflexos das decisões governamentais aparecem na queda do percentual de brasileiros que esperam “melhores momentos nos próximos meses”, que caiu 2,2 pontos percentuais na passagem de janeiro para fevereiro (61,8 pontos).

A percepção sobre a capacidade de endividamento também está mudando. Em janeiro, 32% dos entrevistados disseram que não tinham condições de pagar as dívidas contraídas até o período. Em fevereiro, o percentual aumentou para 37,7%. O percentual de pessoas com condições de pagar caiu de 19,2% para 15,4%.

A queda da avaliação dos entrevistados em relação à segurança do emprego também pode ter influenciado o IEF, segundo Pochmann. De janeiro para fevereiro, o índice caiu de 79,6% para 77,8%. Ou seja, mais pessoas declararam medo de perder o posto de trabalho.

Como a pesquisa ainda não tem uma série histórica que demonstre as tendências de cada mês, o presidente do Ipea pondera que a queda do indicador de um mês para o outro pode ter sido reflexo de uma “acomodação” diante da realidade para o próximo ano.

O índice de expectativa do Ipea é calculado com base em cinco indicadores, como condições de endividamento e expectativa sobre o mercado de trabalho. Desde agosto passado, todos os meses são visitados 3,8 mil domicílios em 214 municípios de todos os estados.

Jornal Midiamax