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Corumbá: Com casa interditada, idosa vive com medo de desabamento

Com um documento de interdição e comprovação de que sua casa corre risco de desmoronamento, é que dona Célia Pereira, de 61 anos, recebeu a reportagem do Diário Online na tarde desta quinta-feira, (10), quando a chuva que caía sobre Corumbá deu uma trégua. Moradora no bairro Havaí há mais de 10 anos, dona Célia afirmou que está […]

Arquivo Publicado em 11/02/2011, às 11h56

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Com um documento de interdição e comprovação de que sua casa corre risco de desmoronamento, é que dona Célia Pereira, de 61 anos, recebeu a reportagem do Diário Online na tarde desta quinta-feira, (10), quando a chuva que caía sobre Corumbá deu uma trégua.


Moradora no bairro Havaí há mais de 10 anos, dona Célia afirmou que está sem dormir, pois o medo de a casa desabar é constante. “As paredes de minha casa estão caindo, eu estou com muito medo de cair tudo sobre minha família. Moramos no local, eu, meu filho, minha filha e mais sete crianças, é um risco muito grande. Por toda parte que olhamos, há rachaduras. Não podemos encostar nas paredes que pedaços caem no chão, estamos desesperados”, contou.


A casa de dona Célia fica localizada em uma área de encosta, no fim da rua Delamare. Ela afirmou que se mudou para o local porque não tinha mais condições de pagar aluguel para viver com os filhos, então, lhe ofereceram a casa e ela decidiu ir para o local. “Com o tempo, o pouco dinheiro que recebo dos benefícios do Governo não deu mais para pagar aluguel, comprar comida e remédios, pois tenho problemas de saúde, então, não vi outro jeito e vim para esta casa. Mas hoje, precisamos sair daqui o mais rápido possível. O caso do senhor que faleceu dormindo me assustou, não consigo mais dormir, tenho medo de que aconteça o mesmo com minha família. Não temos mais parente na cidade e não tenho nem para onde correr quando a chuva fica forte, o jeito é rezar para que a casa não desmorone”, argumentou ao lembrar da morte de Miguel Luiz do Nascimento, 62 anos, na terça-feira.


A casa onde ele morava, na alameda Boa Esperança, bairro Cervejaria, foi atingida por um muro de contenção que desmoronou e ele acabou morrendo soterrado. Na madrugada de ontem, dona Célia disse que a família passou por um grande susto, pois parte da parede do quarto onde a filha dorme com os netos caiu e fez com que a casa tremesse. “Eu e minha filha não dormimos, isso porque chovia muito e ficamos acordadas. Na madrugada, ouvimos um grande barulho vindo do quarto dos meus netos e sentimos que a casa deu uma estremecida. Quando fomos ver, um pedaço da parede havia caído e por sorte não atingiu as crianças. Estamos com muito medo porque depois pedaços dessa parede continuaram caindo. Encostar nela nem pensar, pois aí sim é certeza de que ela cai”, contou assustada.


Esta é a mesma situação de todos os cômodos da casa de dona Célia. Na parede da frente, um buraco recepciona quem entra no imóvel. As paredes do banheiro também podem desabar, pois há uma inclinação, várias rachaduras e inclusive a porta está caindo.


“Sou cadastrada no programa do PAC que irá entregar novas casas às famílias carentes da cidade, não falto a nenhuma reunião. A única coisa que estou reivindicando é um lugar para dormir segura, com minha família, porque essa casa está num barranco e toda vez que chove a terra vai descendo aos poucos e dentro de minha casa, a estrutura está desmoronando. Só quero dormir em paz, sem risco nenhum”, reivindicou.


Defesa Civil


A reportagem entrou em contato com a Defesa Civil do Município para relatar a situação de dona Célia. O chefe de operações da Defesa Civil, tenente Isaque Nascimento, informou que irá até o local avaliar os riscos para a família.


“Nesta semana, nos reunimos com técnicos da Secretaria de Infraestutura para estabelecer uma mudança na ordem de famílias que se encontram em extremo risco. A cidade tem essas famílias catalogadas, mas com o passar do tempo, algumas se encontram em áreas que tiveram agravamento de risco e outras que se encontram na mesma situação. Nessa reunião, fizemos uma inversão de prioridades dos casos que se agravaram nestes últimos anos e inclusive decidimos que cinco famílias serão removidas para o conjunto habitacional Ana de Fátima Brites Moreira, do Programa de Aceleração do Crescimento, Casa Nova, até a próxima semana, pois o risco é extremo. Iremos até a casa da dona Célia e ela pode ser também removida do local em breve, assim como as cinco famílias”, disse o tenente.


Além desta medida, o tenente informou que a Defesa Civil, em parceria com a Secretaria da Cidadania, está oferecendo às famílias que se encontram em extrema situação de risco e que não querem mais ficar em suas casas, a remoção das pessoas para o Albergue Municipal.

Jornal Midiamax