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Comerário: Futebol local ‘vive do passado’, dizem torcedores

Um público de 6 mil pessoas, como o registrado no jogo entre Esporte Clube Comercial e Vasco da Gama pela Copa do Brasil, no último dia 23 de março, tem se tornado cada vez mais raro no futebol sul-mato-grossense. Para muitos, o ‘esquecimento’ do futebol local pelos torcedores se deve ao descrédito de alguns dirigentes […]

Arquivo Publicado em 12/03/2011, às 11h35

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Um público de 6 mil pessoas, como o registrado no jogo entre Esporte Clube Comercial e Vasco da Gama pela Copa do Brasil, no último dia 23 de março, tem se tornado cada vez mais raro no futebol sul-mato-grossense. Para muitos, o ‘esquecimento’ do futebol local pelos torcedores se deve ao descrédito de alguns dirigentes e às participações pífias dos clubes locais em competições nacionais.


“Não tem um calendário esportivo adequado, e a organização da Federação é horrível. Há vários outros fatores ainda. Não temos divulgação, ninguém sabe quando tem jogo, não tem mídia”, aponta Tony Vieira, presidente do Operário.


“Eu pelo menos não me lembro de ver uma equipe de Mato Grosso do Sul na série A do Campeonato Brasileiro ou fazendo uma boa campanha na Copa do Brasil. Hoje a glória parece que está no passado”, conta João Gabriel Oshiro, de 28 anos, campo-grandense que torce para o Palmeiras e garante que vai sempre que pode acompanhar jogos no Morenão. De fato, a observação do torcedor faz sentido.


A última vez que os dois times disputaram a primeira divisão do Campeonato Brasileiro foi em 1986. O torneio foi um dos mais confusos Campeonatos Brasileiros da história. Quarenta e quatro clubes disputaram a Taça de Ouro. E mais 32 participaram de um torneio paralelo, que valia quatro vagas para a segunda fase da competição da elite.


“Eu acho que hoje o futebol do nosso Estado vive das glórias do passado. Nenhum time consegue fazer bonito quando vem time grande jogar aqui. É goleada atrás de goleada, sem contar que nunca dá público nos jogos”, reclama Adriano Batista, de 18 anos, torcedor do Santos. “Eu só vou no Morenão quando vem time grande”, finaliza.


Para Carlos Alberto de Assis, presidente do Comercial, falta motivação para os torcedores voltarem a lotar o estádio Morenão, como acontecia das décadas de 70 e 80.


“O torcedor tem que estar motivado, mas acredito que isso esteja mudando hoje. Hoje o torcedor acredita que possa haver um bom futebol, que alguma equipe possa voltar a se despontar”, diz o cartola.


Para exemplificar sua ideia, o dirigente aponta a final do Estadual de 2010, entre Comercial e Naviraiense. Cerca de 4 mil pessoas estiveram no Morenão para acompanhar o Saci da Vila conquistar mais um título do torneio após 8 anos de espera.


“Mesmo o torcedor tendo o Comercial como segundo time do coração, já é alguma coisa. Temos que dar o primeiro passo, temos que motivar”, finaliza.

Jornal Midiamax