Dois estudos publicados ontem detalham um novo tratamento contra a leucemia linfoide crônica, que atinge os linfócitos B, células do sistema imunológico.
As pesquisas, publicadas nas revistas “Science Translational Medicine” e “New England Journal of Medicine”, propõem transformar os linfócitos T (outras células de defesa) em assassinas das células B, afetadas pelo câncer.
A terapia foi testada em três homens que já tinham feito tratamento com drogas convencionais e sofreram uma recaída da doença.
Os médicos colheram sangue dos pacientes e modificaram seus linfócitos T. Dois deles não têm mais sinais do tumor e um se recuperou parcialmente da doença.
Segundo Vladmir Cláudio Cordeiro de Lima, oncologista clínico do Hospital A.C. Camargo, o método melhora a resposta imunológica do corpo ao tumor.
“Ele faz as células de defesa expressarem duas proteínas que as tornam mais competentes para reconhecer a leucemia linfoide crônica. Nosso sistema imunológico já faz isso normalmente, mas ele desenvolve tolerância às células doentes.”
A leucemia linfoide crônica é um tipo raro da doença e não tem cura. Segundo Lima, o diagnóstico acontece, em geral, quando se nota um aumento do número de linfócitos em exames de sangue.
Nenhum dos voluntários da pesquisa quis se identificar, mas um deles, que é cientista e tem 65 anos, divulgou um comunicado dizendo: “Estou saudável e em remissão. Sei que isso pode não ser uma condição permanente, mas decidi declarar vitória.”