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Celso Costa disputa eleição para o CAU e defende trabalho pelo coletivo

Celso Costa, 70 anos, sul-mato-grossense, é um arquiteto que faz parte da história de Mato Grosso do Sul. Fundou o IAB-MS em 1977, foi o primeiro coordenador do Curso de Arquitetura da Uniderp, ainda quando era CESUP, e foi o primeiro vereador arquiteto de Campo Grande. É o responsável por diversas obras importantes do Estado, […]

Arquivo Publicado em 15/10/2011, às 11h15

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Celso Costa, 70 anos, sul-mato-grossense, é um arquiteto que faz parte da história de Mato Grosso do Sul. Fundou o IAB-MS em 1977, foi o primeiro coordenador do Curso de Arquitetura da Uniderp, ainda quando era CESUP, e foi o primeiro vereador arquiteto de Campo Grande. É o responsável por diversas obras importantes do Estado, particularmente as obras do setor de saúde, como os Hospitais Rosa Pedrossian, a Santa Casa e a Maternidade. Tem três filhos, todos arquitetos formados em Campo Grande. Ele é o principal líder de um movimento pela construção de Conselho de Arquitetura e Urbanismos PARA TODOS e lidera a Chapa 2 para as eleições do CAU no dia 26 de outubro.


Midiamax: Vamos falar do arquiteto Celso Costa? Quem é Celso Costa?


Celso Costa: Bem sou daqui de Campo Grande, de uma família de pecuaristas, ourives e relojoeiro. Estudei na Escola Modelo, no Dom Bosco e morei em diversas cidades até que resolvi fazer arquitetura no Rio de Janeiro, na atual UFRJ. Fui colega de turma de Chico Buarque de Holanda e aluno de Sérgio Bernardes. Me formei e vim para Campo Grande em 1967 e comecei a trabalhar na Construmat Engenharia. Aqui já projetei muitos prédios residenciais, casas, diversos prédios públicos, mas sou um arquiteto que gosta da arquitetura social. Aprendi com a vida, com meu irmão Eudes Costa. Aprendi com o povo. Sou grato a Campo Grande, aos amigos que tenho, aos colegas de profissão que nesse momento estão apoiando as idéias da Chapa 2, de que faço parte.


Midiamax: Celso Costa, o que é o CAU e qual sua importância para os profissionais arquitetos e urbanistas?


Celso Costa: No Brasil, algumas profissões são regulamentadas por lei. Isso ocorre em função do que representam do ponto de vista das necessidades socioambientais, de segurança, de integridade física das pessoas e de seus bens ou patrimônio. Os arquitetos, desde o Decreto federal de 1933, fazem parte do Conselho Profissional que reuniu originalmente as três categorias formadoras do chamado sistema Confea – Crea´s:  engenheiros, arquitetos e agrônomos. Por longos 53 anos, os arquitetos tentaram se desvincular desse sistema por diversos motivos, como a formação diferenciada, que abrange tanto áreas do conhecimento científico quanto a de ciências humanas por exemplo. O CAU – Conselho dos Arquitetos e Urbanistas é um conselho profissional criado pelo Presidente Lula, pela Lei 12.378/2010. O fato de poder relacionar-se com a sociedade diretamente sem intermediários, como ocorre até hoje, poderá estreitar ainda mais essa relação, consolidando a percepção do valor contido no trabalho do arquiteto  e isso resulta  importante na consolidação do mercado de trabalho para os profissionais e na qualidade dos ambientes para a sociedade como um todo.  


Midiamax: Por que o senhor diria que os profissionais da área devem participar ativamente da eleição este ano?


Celso Costa: No sistema democrático de representação, uma das formas de se pronunciar é através do processo eleitoral.  Esta primeira eleição é um marco referencial  histórico de nossa profissão.  Através dela, os anseios de liberdade poderão se realizar dando vazão ao potencial criativo e realizador que caracterizam nossas atividades profissionais. O arquiteto por sua formação hibrida – técnico-científica e humanística é um ser essencialmente crítico, não pode portanto, se eximir deste processo. A eleição dia 26 de outubro em Mato Grosso do Sul, atinge um universo de 1800 colegas e no Brasil, ,mais de 100 mil. É muita gente. O voto será pela internet, da 0 hora até as 19 horas do dia 26, usando uma senha que você recebe pelo correio.


Midiamax: Que propostas a chapa do senhor tem para melhorar a representação de MS no CAU?


Celso Costa: Fundamentalmente, seguir as determinações originadas do conjunto dos profissionais brasileiros, em especial do Mato Grosso do Sul, através de ações democráticas como os congressos profissionais e as indicações de regulamentos e comportamentos produzidos a partir dos Conselhos Estaduais e do Distrito Federal. No conselho federal, a função do conselheiro é de tratar das questões nacionais, pois todas as decisões são de caráter abrangente e visam harmonizar as diferentes situações que um país de dimensões continentais suscitam em função das grandes diferenças regionais.


Midiamax: Uma das propostas da chapa 2 é a realização da Conferência Nacional de Arquitetura e Urbanismo e das Conferências Estaduais, como Fóruns de debates para discutir periodicamente o papel do conselho. Qual a importância desse debate para a sociedade?


Celso Costa: A OBA faz esse trabalho com imenso sucesso pois democratiza o trabalho do Conselho. Na medida em que é colocado por lei, como o mediador nas relações entre os profissionais e a sociedade, o conselho necessitará avaliá-la periodicamente para cumprir bem sua função legal. Estamos propondo como meio de trabalho na busca de atender a anseios e necessidades da sociedade o modelo de uma estrutura de fomento de discussões e proposições que, tenha origem nas bases, que são as representações estaduais, por meio dos fóruns de debates para, serem consolidados através de um Conferência Nacional e seus efeitos práticos se distribuam por todo o território nacional. É meu lado democrata de agir e de propor as coisas para os outros.


Midiamax: Mato Grosso do Sul conta com três faculdades de arquitetura. É possível uma integração maior dos acadêmicos com a CAU, trazendo benefícios para eles e para a profissão? Como auxiliar esses alunos para que eles tenham uma formação completa?


Celso Costa: Alguns dos componentes de nossa chapa estão ou estiveram desde os primeiros momentos de constituição das três escolas de arquitetura do estado. Alguns ainda permanecem, como é o caso do Osvaldo Abrão, da Jussara Basso e o Gutemberg Weingarten. Conhecem, portanto a realidade do ensino que estão praticando e podem agir objetivamente no sentido de propor ações para o resgate da qualidade e do alinhamento com as demandas do mercado. Embora não previsto na lei é possível e desejável o envolvimento de acadêmicos no conselho, como treinamento em temas de caráter classista, por exemplo, como complementação na formação política dos futuros arquitetos. No caso concreto, quero participar da Comissão Nacional de Ensino, já criada pela lei do CAU pois fui professor do CESUP e fui o fundador do Curso de Arquitetura e Urbanismo em 1981 e conheço essa área. Quero dar minhas contribuições.


Midiamax: Outra de suas propostas fala em defender medidas justas e corretas, para o aperfeiçoamento do exercício profissional. O que falta nesse sentido e como a chapa 2 pode ter esse avanço?


Celso Costa: A formação do arquiteto é ampla e contempla diferentes campos do conhecimento humano. Isso quer dizer que ele pode atuar dentro de um espectro de atividades que vai desde a concepção de um objeto de uso pessoal até o planejamento estratégico de uma região. Essa formação se dá por conta da necessidade imperiosa de articular várias funções simultaneamente com harmonia funcional e estética. Por razões estruturais históricas, como a deficiência econômica e tecnológica, os arquitetos brasileiros, pós Brasília, viram seu campo de trabalho se estreitar paulatinamente. Por outro lado, mesmo os capacitados, viram também suas atribuições profissionais serem reduzidas por conta da convivência compulsória num sistema multiprofissional, disputando o mesmo mercado com profissões que se multiplicaram através da divisão de conhecimento originalmente pertencentes  a engenheiros e arquitetos somente. Também, em função da evolução tecnológica – novos materiais e técnicas, muitos profissionais já não conseguem  responder a todas as demandas profissionais com a mesma competência desejada. Somente, através da reciclagem constante será possível manter a competência necessária para atuar em todas as frentes que as atribuições garantidas pela lei.


Midiamax: Por que o senhor diria que a chapa 2 é a mais preparada o desafio de representar os arquitetos e urbanistas de MS no CAU?


Celso Costa: Assumimos um compromisso com a sociedade de Mato Grosso do Sul e com todos os profissionais arquitetos e urbanistas, através de uma chapa constituída por 20 profissionais residentes em Mato Grosso do Sul com excelente perfil. São pessoas de todas as áreas da profissão, pessoas ligadas historicamente às questões relacionadas com a profissão desde há muitas anos (40 a 50 anos aproximadamente), através da participação ativa nas entidades representativas como o IAB, ABEA, FNA; pessoas dignas e com condições para dedicar tempo para a realização do trabalho que se fará necessário para a instalação e funcionamento do Conselho no âmbito Federal e Estadual. É um time de primeira linha. Temos homens e mulheres, colegas da capital e do interior, de todas as áreas da arquitetura. A CHAPA 2 foi estimulada a existir num processo democrático. Não somos uma chapa de amigos, somos colegas de profissão que querem trabalhar pelo coletivo. Isso é a Chapa 2.


Midiamax: Atualmente muito se fala sobre acessibilidade e mobilidade urbana. A responsabilidade principal para que haja cidades acessíveis para todos e com boa mobilidade é do Poder Público, mas uma boa representação do CAU tem condição de cobrar os governos para que esses importantes avanços aconteçam?


Celso Costa: A questão de acessibilidade e mobilidade urbana está muito bem regulamentada pela norma brasileira. A responsabilidade em atendê-la é de toda a sociedade, inclusive do poder público. As cidades serão acessíveis, somente quando a pratica estiver plenamente assimilada por todos – é aqui, que o CAU poderá contribuir abrindo espaço político às entidades associativas e sindicais dos arquitetos, no sentido de apresentar á sociedade os benefícios advindos da adoção de políticas inclusivas, cobrando com argumentos técnicos o poder público e fiscalizando a aplicação das soluções adotadas nos investimentos públicos nas cidades. Como autarquia federal, não cabe dentro de sua finalidade legal, agir diretamente sobre essas questões, contudo, enquanto órgão fiscalizador das ações profissionais pode patrocinar as ações das organizações de arquitetos no estado.


Midiamax: O CAU pode cobrar e fiscalizar o cumprimento da legislação ambiental em obras, tanto de governos quanto privadas?


Celso Costa: Da mesma forma que a acessibilidade, temos uma legislação ambiental em vigor, capaz de revolucionar a forma de lidar com a natureza. As soluções técnicas vigentes tratam dos resultados e não das origens do problema; são medidas que ainda pressupõem a possibilidade do domínio do homem sobre a natureza, através das soluções de engenharia – lixões, aterros sanitários e etc., que se mostram ineficientes ao longo do tempo. Ao CAU, não cabe ações de cobrança dos órgãos públicos por conta de suas delegações, mas uma atitude de esclarecimentos públicos e de fomento a discussões sobre o planejamento das cidades, como medida preventiva seria um atitude responsável para com o futuro das nossas cidades.


Midiamax: Celso, como que o CAU vai colocar em discussão a questão da remuneração profissional, seja profissional liberal seja funcionário ou empregado?


Celso Costa: Olha essa é a questão central de um debate atual de nossa profissão. Temos problemas imensos a resolver e iremos resolver. O espaço de trabalho do arquiteto e urbanista cresceu muito nos últimos 20 anos mas a sua remuneração diminuiu. Isso nós temos o maior interesse em resolver e esse tema é do CAU e de todas as entidades, como Sindicato, IAB, ABEA, ABAP e ASBEA. A remuneração do arquiteto tem de ser reconhecida pela sociedade como necessário e pelos governos como essencial. Temos preocupações com as obras que são licitadas sem projeto completo, o chamado projeto executivo. Acabam tendo aditivos demais, ficam mais caras pois não foram projetadas corretamente. No setor  público o problema é convencer os dirigentes que o arquiteto é necessário no órgão público. Veja s: quem fiscaliza a cidade, quem fiscaliza as obras, que planeja as cidades? O arquiteto claro e ele não pode receber de vencimentos 1.000 ou 2.000 reais. O salário-mínimo do arquiteto está definido em lei federal e vamos lutar para que o setor público reconheça essa lei e a vantagem de ter profissionais de arquitetura em seus quadros. Mais de 25 cidades em Mato Grosso do Sul não tem arquitetos,precisamos mudar isso.


Midiamax: Para concluir, Celso Costa, o CAU vai mudar o que em Mato Grosso do Sul?


Celso Costa: O CAU vai mudar muito as coisas e a relação com a sociedade pois o CAU vai orientar, disciplinar e fiscalizar o exercício profissional da arquitetura e urbanismo e vamos lutar para aperfeiçoar tudo isso. Precisamos ter ao nosso lado todos os conselhos das demais profissões como a OAB, o CRM, o próprio CREA e a sociedade organizada nos cobrando medidas corretivas, orientadoras. O serviço do arquiteto numa sociedade contemporânea é imprescindível e acredito que tudo vai ficar melhor e diferente para todos. Mas creio em Deus e creio muito nos homens e mulheres de bem e para encerrar quero pedir apoio de todos os profissionais do meu querido Mato Grosso do Sul que no dia 26 de outubro depositem seu voto de confiança na Chapa 2. CAU PARA TODOS pois é nela que acredito. Muito obrigado.

Jornal Midiamax