Índios disseram que só não foram atacados também porque se esconderam numa mata; área tinha sido ocupada na semana passada

O acampamento dos índios que ocuparam esta semana uma área em duas fazendas no município de Iguatemi foi destruído na madrugada deste domingo (14) por homens indicados pelos próprios índios como “pistoleiros” e “capangas” dos fazendeiros. Ninguém ficou ferido, mas o clima é de crescente tensão.

“Os pistoleiros entraram e cortaram tudo, lona, coberta, barracos. Os capangas destruíram tudo. Não machucou ninguém porque o pessoal correu pro mato”, relata um dos integrantes do acampamento.

A área ocupada fica no município de Iguatemi (e não em Tacuru como foi noticiado de início). Os guarani kaiowá, do território chamado de Pueblito Kuê, entraram na área dia 9 deste mês. Eles montaram acampamento numa área de mata ciliar que abrange a divisa entre duas fazendas, a Maringá e a Santa Rita.

A Fazenda Santa Rita é propriedade da família do prefeito de Iguatemi, José Roberto Felippe Arcoverde (PSDB), que responde pela administração da mesma. Ministério Público Federal, Polícia Federal e Funai acompanham a situação.

O procurador da República em Dourados, Marco Antônio Delfino de Almeida, afirmou que a denúncia da destruição do acampamento durante a madrugada ainda está sendo averiguada. “Se houve violência, será instaurado inquérito”, afirmou o procurador.

Esta é a terceira vez que os índios ocupam terras na região. Em 2003 e 2009 as ocupações tiveram desfechos marcados por violentos confrontos com seguranças das fazendas.

A área está incluída nas portarias da Funai publicadas em 2008, que formaram Grupos de Trabalho para estudos em 26 municípios da região sul do Estado. As medidas foram tomadas depois de assinatura de TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) que obriga a União a concluir os processos de demarcação.