Mohamed ElBaradei, ex-diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e prêmio Nobel da Paz, revelou neste sábado (26) estar disposto a renunciar a candidatura à presidência para participar de um governo de união nacional como alternativa para encerrar a crise política do Egito.

ElBaradei, que foi recebido neste sábado (26) pelo dirigente militar do Egito, marechal Hussein Tantaui, está “disposto a renunciar à ideia de ser candidato à eleição presidencial caso receba oficialmente a missão de formar um governo” de união nacional, revelou um comunicado de seu gabinete.

ElBaradei ganhou o Prêmio Nobel da Paz, dividido com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), na qual era diretor-geral, em 2005, por sua contribuição na prevenção do uso da energia nuclear para fins militares.

Neste sábado (26), Tantaui recebeu ElBaradei e o ex-secretário-geral da Liga Árabe Amr Mussa para discutir os “últimos acontecimentos e a situação no cenário local”, informou a agência oficial “Mena”. Os nomes de ElBaradei e de Mussa são os mais citados pelos manifestantes pró-democracia para dirigir um governo de “salvação nacional” no Egito.

ElBaradei destacou que “está disposto a atender aos pedidos dos jovens revolucionários reunidos nas praças do Egito e das forças políticas, assumindo a responsabilidade de formar um governo de união que represente o conjunto das forças nacionais, sob a condição de que este governo seja dotado de todas as prerrogativas para administrar o período de transição, restabelecendo a segurança, reativando a economia e realizando os objetivos da revolução egípcia”.

O ex-diretor da AIEA foi aclamado na sexta-feira (25) pelos manifestantes reunidos na Praça Tahrir, no Cairo, para exigir a imediata saída do Conselho Supremo das Forças Armadas (CSFA) do poder.

ElBaradei – que como Mussa alimenta ambições presidenciais – denunciou na última terça-feira o “massacre” na Praça Tahrir, em referência aos sangrentos choques entre a polícia e os manifestantes contrários ao regime.