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Câncer aumenta em MS e não há tratamento para todos

Estatísticas do Instituto Nacional do Câncer revelam aumento gradativo da doença contra estagnação do atendimento no estado

Arquivo Publicado em 30/11/2011, às 10h27

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Estatísticas do Instituto Nacional do Câncer revelam aumento gradativo da doença contra estagnação do atendimento no estado

O estado do Mato Grosso do Sul deve ter mais 9.370 casos de câncer em 2012, e deste número, 3.600 poderão incidir sobre a capital, Campo Grande.


A informação é do Instituto Nacional do Câncer – INCA, órgão do Ministério da Saúde, que realiza prognósticos anuais baseados na evolução dos casos diagnosticados em todo o país.


Pela estimativa, os tipos de linfomas de maior incidência no MS devem ser os de próstata (1.230 casos), seguidos por mama feminina (740) e colo de útero (430 casos).


Para se ter idéia do aumento de incidência da doença no estado, em 2008 as estimativas INCA apontavam 720 casos de câncer de próstata, 560 casos de mama feminina e 300 casos de colo de útero.


As estimativas são fundamentais para que os gestores da saúde pública invistam na rede oncológica, a fim de oferecer tratamento adequado os portadores da doença. O alerta também tem a função estimular a população para que faça os diagnósticos preventivos.


Em caso contrário, os números do INCA, que relatam casos primários de câncer (primeira incidência), podem ser multiplicados em função da metástase, que ocorre quando as células cancerígenas se espalham por outros órgãos.


Pacientes do MS tem dificuldade para encontrar tratamento


Apesar do constante crescimento dos casos de câncer no estado, a falta de estrutura da rede oncológica do SUS é de conhecimento de pacientes e familiares, das autoridades estaduais e do Ministério Público Federal.


A rede oncológica do MS diminuiu, com o fechamento da radioterapia do Hospital Universitário e o abandono, por parte da secretaria estadual de Saúde, dos planos de instalar o serviço no Hospital Regional.


Em setembro, ao responder um pedido de informações do deputado George Takimoto, a secretária Beatriz Dobashi respondeu, por escrito:


“Não há dotação orçamentária do governo estadual para atender essa demanda, haja vista que precisamos manter e atualizar a complexa estrutura já existente”. Segundo ela, o governo ainda precisava “atender também outros preceitos de economia e uso racional de recursos”.


Sem o HR, o Hospital do Câncer de Campo Grande, privado, tem longas filas de atendimento pelo SUS. Com a falta de vagas, grande parte dos pacientes se dirige para o estado de São Paulo, em busca de tratamento no Hospital do Câncer de Barretos.


Neste ano, até o final de setembro, 2.474 pacientes do MS faziam tratamento rotineiro de combate ao câncer em Barretos, com um total de 15.608 atendimentos (mais de uma ida por pessoa).


Fila de espera deixa pacientes sem tratamento no MS


Parece inimaginável que um paciente de câncer não consiga tratamento pelo SUS, e tenha que conviver com a doença enquanto espera por atendimento.


O próprio Ministério Público Federal sabe que existe um fila de espera de pacientes nestas condições, em número desconhecido.


A reportagem do Midiamax localizou a paciente I.N.O., que extraiu um seio em Barretos por causa do câncer de mama. Mas ela não pode mais voltar para o interior de São Paulo porque tem uma filha com doença crônica.


Desde então, I.N.O. nunca mais fez qualquer tipo de tratamento. Em vão, a paciente tenta uma vaga no Hospital do Câncer de Campo Grande. Veja o seu depoimento:


“Eu não pude mais ir para Barretos, porque minha filha tem uma doença grave. Daí fui ao posto de saúde, e me encaminharam para o Hospital do Câncer, aqui. Falei com o médico e ele me pediu tudo o que eu fiz lá em Barretos. Veio um pouco, mas ele me pediu mais coisas. Eu trouxe o resto, tudo o que eu havia feito lá em Barretos. Depois disso, como demorou um mês e não me ligaram, marquei uma consulta e fui lá ao Hospital do Câncer de novo. Mas pediram mais de uma lâmina dos primeiros exames que eu tinha feito aqui em Campo Grande, não sei o que mais, uma ladainha, e assim vai desde abril até agora. Nenhum tratamento, nada, nem para ver se estou curada, ou não”.



Jornal Midiamax