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Brasil cria grupo interministerial para acompanhar crise nuclear no Japão

O governo criou nesta terça-feira (15) um grupo interministerial para acompanhar a crise nuclear no Japão, causada por incêndios na usina de Fukushima Daiichi devido ao terremoto e ao tsnunami que atingiram o país, afirmou o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante. Segundo o ministro, o objetivo é que o grupo faça acompanhamento constante […]

Arquivo Publicado em 16/03/2011, às 00h35

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O governo criou nesta terça-feira (15) um grupo interministerial para acompanhar a crise nuclear no Japão, causada por incêndios na usina de Fukushima Daiichi devido ao terremoto e ao tsnunami que atingiram o país, afirmou o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante.


Segundo o ministro, o objetivo é que o grupo faça acompanhamento constante das medidas internacionais de segurança que devem ser tomadas pós o acidente no Japão. “Não temos problema nenhum de rever práticas, protocolos, nem políticas para manter a segurança das nossa usinas”, afirmou o ministro.


Mercadante afirmou que não há nenhum tipo de registro de problema nas duas usinas nucleares instaladas no Brasil – Angra 1 e Angra 2 –, mas disse que as medidas de segurança serão reforçadas.


“Vamos reavaliar, no âmbito da CNEN [Comissão Nacional de Energia Nuclear], todos os protocolos que são seguidos e vamos tomar todas as medidas necessárias para garantir de forma ainda mais rigorosa o bom uso da energia nuclear”, afirmou o ministro Aloizio Mercadante.


A CNEN, que é ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, não descarta ampliar a área de isolamento em torno das usinas nucleares situadas em Angra dos Reis, disse o presidente do CNEN, Odair Dias Gonçalves.


Segundo ele, a área de isolamento poderia ser elevada dos atuais 5 quilômetros, distância atualmente exigida pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), para 30 quilômetros, dependendo de novas recomendações que possam ser feitas pelos órgãos internacionais.


Mercadante afirmou que o sistema brasileiro de segurança é superior ao japonês. “O sistema brasileiro e o japonês têm diferenças importantes, entre elas o sistema de refrigeração. No Brasil, o sistema é independente. No Japão, não tem a mesma qualidade da defesa que Angra 1 e Angra 2”, afirmou.


Boletins


A partir desta terça-feira, a CNEN vai divulgar boletins diários em seu site sobre a situação nuclear do Japão. Segundo a CNEN, os boletins vão ser baseados em informações divulgadas pelas agências internacionais de energia nuclear.


A meta é manter a população informada sobre os acontecimentos nucleares no Japão e possíveis medidas que possam ser adotadas nas usinas brasileiras.


Além das usinas já instaladas, o Brasil estuda a instalação de outras quatro usinas nucleares. Segundo o presidente da CNEN, a região mais provável para a construção é a Nordeste. Porém, ele disse que não há prazo para o início das construções.


“Pode chegar a oito usinas, mas depende do desenvolvimento econômico do Brasil. Mas estamos falando em projetos de longo prazo. Temos todo o tempo do mundo para esperar os critérios que serão estabelecidos para tomar todas as medidas necessárias”, disse.

Jornal Midiamax