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Bolsa de Tóquio tem maior queda desde 2008

Bolsa de Tóquio voltou a funcionar nesta segunda-feira (14), três dias após um terremoto de 8,9 graus na escala Richter devastar parte do Japão e causar tsunamis que varreram várias cidades do litoral. O índice Nikkei, que mede a movimentação das ações das principais empresas do país, fechou com perdas de 6,2%, aos 9.620,49 pontos. […]

Arquivo Publicado em 14/03/2011, às 16h08

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Bolsa de Tóquio voltou a funcionar nesta segunda-feira (14), três dias após um terremoto de 8,9 graus na escala Richter devastar parte do Japão e causar tsunamis que varreram várias cidades do litoral. O índice Nikkei, que mede a movimentação das ações das principais empresas do país, fechou com perdas de 6,2%, aos 9.620,49 pontos. A queda foi a maior em um único dia já vista desde novembro de 2008, quando a crise financeira trouxe prejuízo às maiores economias do mundo.

O número de mortos pela catástrofe natural está em 1.627, segundo os dados oficiais do governo. Apesar disso, há estimativas que apontam a possibilidade de este número ficar entre 5.000 e 10 mil nos próximos dias.

As principais Bolsas do mundo, principalmente as da Europa e a dos Estados Unidos, já haviam sentido na sexta-feira (11) o impacto financeiro do tremor. Praticamente todas elas fecharam no vermelho na sexta, e os investidores passaram a olhar a recuperação japonesa com ainda mais preocupação.

Nesta segunda, o que era medo apareceu na forma de investidores vendendo suas ações e tirando sua grana do mercado para não terem mais prejuízo. E o medo não se concentrou somente ao Japão. O indicador FTSE Asia 100, que mede os negócios das principais economias do continente, recuou 1,92%, para 6739,70 pontos.

As ações que mais sentiram o impacto do tremor foram as de empresas exportadoras, entre elas da Kyocera e da Canon. Com portos fechados e poucos aeroportos funcionando, as empresas não têm como enviar sua produção para o exterior, o que reflete em vendas menores e prejuízo.

Energia e produção

A situação do mercado é agravada pela falta de energia. Os apagões são o principal perigo em um país em reconstrução, sobretudo porque derruba a produção das empresas. Quem explica a situação é Michala Marcussen, chefe de economia global do Société Generale.

Quando falamos de desastres naturais, tendemos a ver uma queda inicial acentuada da produção. Inicialmente, todos subestimam o prejuízo. A energia é um fator crucial. Se a produção de energia for prejudicada de forma permanente, então poderá haver um impacto duradouro sobre a economia.

A Tokyo Electric Power anunciou no domingo que poderá realizar racionamento de energia com blecautes até o inverno. O racionamento de energia começou nesta segunda para empresas e residências, no momento em que o país enfrenta sua pior crise desde a Segunda Guerra Mundial.

A consultoria internacional Eqecat, citada pela rede de TV americana CNN, estimou que as perdas no país asiático podem chegar a R$ 166 bilhões (US$ 100 bilhões), incluindo R$ 33,2 bilhões (US$ 20 bilhões) em danos a residências e R$ 66,4 bilhões (US$ 40 bilhões) em danos à infraestrutura japonesa, como rodovias, ferrovias e portos.

Os valores foram convertidos de dólar para real a partir do valor da moeda americana nesta segunda (US$ 1 valendo R$ 1,66). Em ienes, o prejuízo é estimado entre 14 trilhões e 15 trilhões. Ainda assim, esses números são preliminares e podem aumentar mais daqui pra frente.

Prevendo o temor dos investidores internacionais em um momento já delicado da economia local, severamente afetada pela crise econômica internacional, o Banco Central do Japão anunciou nesta segunda-feira planos de injetar o valor recorde de R$ 303 bilhões (US$ 183 bilhões) no mercado. Outros R$ 101 bilhões (US$ 61 bilhões) serão usados como garantia para fundos de risco.

Jornal Midiamax