O projeto de construção de uma estrada de ferro bioceânica, que una a Bolívia de leste a oeste e conecte os portos brasileiros, no Oceano Atlântico, aos portos peruanos, no Oceano Pacífico, entrará em discussão na próxima semana, quando Marco Aurélio Garcia, assessor da presidente brasileira Dilma Rousseff, deve visitar a Bolívia.

A informação foi repassada pelo próprio presidente boliviano, Evo Morales, na noite da última segunda-feira (29), numa entrevista coletiva à imprensa após conversar com o ex-presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, num hotel da cidade de Santa Cruz de La Sierra. “Iremos debater novamente novos projetos de integração, novos programas sociais políticos regionais”, afirmou o líder boliviano.

A ferrovia indica um “atalho” das exportações brasileiras para a China, que devido à falta de uma ligação direta pelo interior do continente sul-americano, acabam descendo até o extremo sul do continente para depois subir até o Pacífico Sul, de onde seguem para o estreito de Darrien, no Canal do Panamá, até alcançar o porto de Xangai, o mais importante da China. Todo esse contorno acaba por gerar um acúmulo de trâmites e tempo.

A implantação da ferrovia bioceânica poupará 6.500 quilômetros de trajeto para as exportações brasileiras com destino à Ásia. O presidente Evo alimenta a possibilidade da construção de uma estrada de ferro que, conforme o protótipo do projeto de construção, partiria de Puerto Suárez, no extremo leste da Bolívia, na fronteira com Corumbá (MS), até o porto peruano de Ilo, cortando de leste a oeste, por uma linha equatorial de 500 quilômetros, o centro boliviano.

“Se o Chile não reconheceu uma dívida histórica (a cessão de uma saída ao Oceano Pacífico a Bolívia), que melhor caminho se não por Ilo”. No sul do Peru, em virtude de um trabalho bilateral de comodato, foi cedida até 2092, uma base para a Marinha Boliviana, outorgando-lhe a saída pelo Pacífico, lembrou Morales que falou que esta possibilidade foi abordada com o ex-presidente, Alan Garcia, em 2010.

Morales disse que aprofundará as negociações do “mega projeto” também com o atual presidente peruano, Ollanta Humala, ao afirmar que está prevista uma reunião ainda com lugar e data a serem definidos. (Com informações da Agência Boliviana de Informações – ABI)