O repórter cinematográfico da TV Bandeirantes do Rio, Gelson Domingos, 46, morto no último domingo (6) em uma operação do Bope contra traficantes no Rio de Janeiro, não poderia usar um colete à prova de fuzil, apesar do risco da cobertura. De acordo com o especialista em segurança pública e privada e pesquisador criminal, Jorge Lordello, o uso de coletes super potentes é restrito pelas Forças Armadas.

“Policiais de rua, em operações corriqueiras, vigilantes e imprensa, usam o colete nível III A, à prova de bala calibre 44 e submetralhadora. O nível III, que suporta tiros de fuzis 762, é restrito”, explica.

Após a morte de Domingos, vítima de um tiro de fuzil no peito, o Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro acusou a TV Bandeirantes de negligência na segurança do cinegrafista e responsabilizou a emissora pela morte do profissional, com o uso de um colete ‘frágil’. Por meio de nota, a Band lamentou a morte de Domingos e disse que o cinegrafista usava o colete permitido pelas Forças Armadas.

Limites da imprensa
Apesar de não poder usar o colete mais potente, Lordello enfatiza que isso não evitaria a tragédia. “O cinegrafista poderia ter sido atingido na cabeça ou no ombro, e ter perdido um braço. A questão é outra: o jornalista deveria estar naquele local? Faz parte da função de um policial correr esse risco, mas não da função de um repórter”, avalia.

O repórter cinematográfico da TV Bandeirantes participava da cobertura da invasão da favela Antares, em Santa Cruz, bairro na zona oeste da capital fluminense. A operação contra o tráfico de drogas contou com a presença de mais de 80 membros do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) e do BPChoque (Batalhão de Choque).