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Rede de esgoto foi avanço, mas transporte coletivo e trânsito precisam melhorar, diz coordenador do Cedampo

O coordenador de Meio Ambiente do Cedampo (Centro de Documentação de Apoio aos Movimentos Populares), Haroldo Borralho, tem sido fonte certa quando o assunto é interesse coletivo. Segundo ele, Campo Grande nos últimos 4 anos conseguiu melhorar a qualidade de vida com a ampliação da rede de esgoto. Mas, por outro lado, a cidade ainda enfrenta […]

Arquivo Publicado em 27/01/2010, às 12h57

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O coordenador de Meio Ambiente do Cedampo (Centro de Documentação de Apoio aos Movimentos Populares), Haroldo Borralho, tem sido fonte certa quando o assunto é interesse coletivo. Segundo ele, Campo Grande nos últimos 4 anos conseguiu melhorar a qualidade de vida com a ampliação da rede de esgoto. Mas, por outro lado, a cidade ainda enfrenta problemas com o transporte coletivo, o trânsito e o meio ambiente.

Ao Midiamax, ele criticou o Governo Lula e o atrelamento com as organizações populares, que deixaram de ir para as ruas protestar. Criticou também o Ministério Público, o Legislativo e a imprensa. Borralho descarta ter pretensões eleitoreiras e sinaliza continuar o caminho de agente fiscalizador. Eis a entrevista:

Midiamax – Hoje vemos uma movimentação sobre o possível reajuste da tarifa do ônibus em Campo Grande, a segunda Capital com a passagem mais cara do País, por que tem sido difícil ter qualidade e tarifa justa no serviço de transporte público?

Borralho – Na realidade é o trabalhador usuário que se procupa com a lotação, a regularidade, o horário e a falta de cobertura nos pontos de onibus. O trabalhador paga 6% conforme a legislação trabalhista. Precisamos resolver problemas como a regularidade dos horários que os ônibus passam, a lotação, a falta de cobertura nos pontos, a falta de elevadores para deficientes.

Midiamax – Como o senhor avalia o serviço de água de Campo Grande?

Borralho – Caro. Porém, de qualidade.

Midiamax – Quais os principais problemas urbanos da cidade, na sua opinião?

Borralho – Ocupação irregular do solo com as desafetações de áreas, falta de espaços público para lazer, cultura e esporte para nossos jovens e adultos e idosos. Temos ainda a questão ambiental, a situação dos córregos, o trânsito confuso e a questão da segurança pública. Há uma falta da efetiva participação popular no destino da cidade com uma Câmara mais atuante.

Midiamax – Nos últimos 4 anos o que houve de melhoriaa efetiva na cidade?

Borralho – A rede de esgotamento sanitário sem dúvida. Com isso, diminuiu as doenças de veiculação hídrica (pela água) como a diarréias, hepatite e outras, segundo os dados do perfil socioeconômico do município editado anualmente pelo Planurb (Instituto Municipal de Planejamento Urbano).

Midiamax – Em quais momentos o senhor já acionou o Ministério Público Estadual para que ele interviesse a favor da população?

Borralho – Várias vezes nas promotorias das questões ambientais, direitos do consumidor, patrimônio público, direitos humanos etc. Vale ressaltar que atualmente o Ministério Púbico vem sofrendo processo de desgaste assustador no que tange a credibilidade, pois só abre processos investigatórios e não propõe ação deixando a coisa correr solta e também usando a mídia para auto promoção, no caso de promotores públicos de Justiça.

Midiamax – Até que ponto a falta de participação da comunidade dificulta o trabalho dos sindicatos e associações?

Borralho – Existe hoje um processo de engessamento e atrelamento assustador dos movimentos sociais e populares como CUT (Central Única dos Trabalhadores), UNE (União Nacional dos Estudantes), MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) com o Governo Lula atualmente. E por conta disso está difícil fazer mobilizações. Ninguém quer ir para a rua protestar.

Midiamax – O senhor é filiado a algum partido político? Qual? Tem pretensões políticas?

Borralho – Não sou filiado, não tenho pretensão política eleitoral apesar de entender que faz parte do jogo democrático todos participarem e não se alienarem. É melhor errar pela ação do que pela omissão.

Midiamax – Por que o interesse coletivo por muitas vezes não é levado em conta pelos políticos?

Borralho – Tudo isso faz parte da sociedade em que vivemos consumista, alienada, individualista, omissa que não cobra dos seus representantes e sofre uma grande influência da mídia. E pior, falta educação, formação e informação séria.

Midiamax – Para finalizar, até que ponto a imprensa é porta voz do interesse coletivo?

Borralho – Complicado apesar de ótimos profissionais, os jornalistas estão amarrados às empresas em que trabalham que são comprometidas com os vários governos e as administrações e interesses empresariais.

Midiamax – Haroldo Borralho, onde você nasceu? Qual sua formação? É casado pai de quantos filhos? Atualmente qual a sua função?

Borralho – Nasci em Campo Grande no dia 19 de setembro de 1954, tenho o 2º grau completo, fiz contabilidade, tenho dois filhos, sou micro-empresário, proprietário de uma pequena gráfica.

Jornal Midiamax