Geral

Paraguaia vive drama por atendimento médico em Campo Grande

Mônica Gonzales, nascida na Capital, criada no Paraguai, veio visitar a mãe, caiu no banheiro e se machucou, mas não conseguiu tratamento por possuir identidade estrangeira; no posto do Coronel Antonio (foto), ela agendou consulta para semana que vem. Saga dura mais de mês

Arquivo Publicado em 27/01/2010, às 18h25

None

Mônica Gonzales, nascida na Capital, criada no Paraguai, veio visitar a mãe, caiu no banheiro e se machucou, mas não conseguiu tratamento por possuir identidade estrangeira; no posto do Coronel Antonio (foto), ela agendou consulta para semana que vem. Saga dura mais de mês

A dona de casa Mônica Gonzales Nogueira, de 42 anos, que saiu de Campo Grande criança para morar no Paraguai, veio visitar a mãe, que é brasileira, no final do ano e se machucou ao levar um tombo, teve o atendimento médico negado num posto de saúde da Capital por possuir identidade estrangeira, recorreu à Justiça, conquistou o cuidado médico por meio de liminar dia 14 deste mês, terá agora de aguardar até o dia 2 de fevereiro, semana que vem, para entrar num consultório médico. Daí, ela pretende ir embora.

Comunicado da Defensoria Pública da União em Mato Grosso do Sul, divulgado nesta quarta-feira, sustenta que Mônica Gonzales Nogueira veio passar o Natal com a mãe.

Ela chegou à cidade no dia 23 de dezembro passado e, no dia seguinte, véspera de Natal, caiu no banheiro e se feriu no ombro esquerdo. Mônica buscou socorro médico nos postos de saúde da cidade, mas não conseguiu por possuir cidadania paraguaia.

De acordo com a ação judicial, preparada pelo defensor público federal Antonio Ezequiel Inácio Barbosa, assim que se machucou Mônica quis retornar ao Paraguai para se tratar, contudo, não conseguiu “em razão de fortes dores desencadeadas pela lesão sofrida”.

Sem dinheiro para pagar exames particulares, a paraguaia foi atrás de orientação da Defensoria Pública da União, que logo propôs o recurso. Na petição, o defensor citou trecho da Constituição Federal, que diz que a saúde “é direito de todos e dever do Estado” e o atendimento médico “não enseja diferenciação entre brasileiros e estrangeiros” que estejam em território nacional.

A liminar da Justiça Federal foi concedida no dia 14 deste mês, mas somente nesta semana é que a paraguaia ficou sabendo e foi levada pela mãe a um posto de saúde. Nela foi feito um raio X e o médico que o cuidou a encaminhou a um outro especialista que deve atendê-lo no dia 2, na terça-feira.

Ela acha que quebrou algum osso do ombro  e assim que for atendida pelo médico, Mônica Gonzales, segundo sua mãe, pretende voltar para o Paraguai.

O histórico de Mônica

A mãe da paraguaia Mônica, Margarida, de 63 anos de idade, disse ao Midiamax, por telefone, que é brasileira e sempre morou no Jardim Anache, bairro distante do centro da cidade, na saída de Campo Grande para Cuiabá.

Ela é casada com um paraguai há 45 anos e quando nasceu Mônica, a família foi visitar os parentes na cidade paraguaia de Santa Rosa, a duas horas de carro de Ponta Porã (MS).

A avó de Mônica quis ficar com ela e convenceu Margarida, que registrou a criança lá mesmo em Santa Rosa. Hoje, Mônica vive no Paraguai com a mulher e os seus filhos. Vem ver a mãe nos finais de ano.

Jornal Midiamax