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Para analistas, Copom vai manter a Selic em 8,75%

A aposta do mercado é na manutenção da taxa básica de juros, a Selic, em 8,75% ao ano, como decisão da primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deste ano, que termina quarta-feira. Segundo economistas, a inflação ainda não oferece sinais de preocupação e a indústria opera com capacidade ociosa, o […]

Arquivo Publicado em 27/01/2010, às 01h56

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A aposta do mercado é na manutenção da taxa básica de juros, a Selic, em 8,75% ao ano, como decisão da primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deste ano, que termina quarta-feira. Segundo economistas, a inflação ainda não oferece sinais de preocupação e a indústria opera com capacidade ociosa, o que dá margem para o aumento da produção.

O Federal Reserve (Fed), o banco central americano, também decide quarta-feira o rumo dos juros americanos, entre 0 e 0,25% ao ano, para os quais também é esperada manutenção. Segundo analistas, os Estados Unidos precisam estimular investimentos para tentar diminuir a taxa de desemprego, que fechou 2009 em 10%.

– Os Estados Unidos ainda não se recuperaram da crise. Portanto, precisam manter os juros baixos, mas acho que o governo americano deve anunciar alguma medida para começar a desmontar os estímulos – afirma Julio Hegedus Netto.

Embora economistas acreditem que a Selic chegue a 11% no fim do ano, a expectativa de elevação da taxa é para a terceira reunião do Copom, marcada para os dias 27 e 28 de abril. A inflação controlada – O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 4,31% em 2009, dentro do centro da meta do governo, de 4,5% – e uma folga na capacidade de produção são apontadas como fatores favoráveis à manutenção da Selic neste momento.

– O IPCA ficou dentro da meta e o IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado) teve deflação de 1,72% em 2009. Além disso, o câmbio está comportado. Portanto, não vejo motivos para uma alteração, pelo menos para as duas primeiras reuniões – analisa Miguel José Ribeiro de Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).

De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), os investimentos do setor produtivo têm superado o uso da capacidade instalada. E, portanto, ainda não haveria indícios de pressão inflacionária por conta da demanda aquecida. Para José César Castanhar, economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a necessidade de manter a capacidade de produção acompanhando a alta na demanda é deve levar o BC a manter a Selic nesta reunião..

– O governo precisa aumentar a capacidade de produção, e um aumento dos juros poderia prejudicar os investimentos no setor – avalia Castanhar.

O economista do Instituto Millenium, José Hegedus Netto, ressalta que, embora a expectativa seja de manutenção dos juros nesta primeira reunião, é importante ficar atento à ata do Copom, que dirá a tendência da Selic até a próxima reunião, em 16 e 17 de março. “Acredito que, na próxima reunião, possa sim ter uma pequeno ajuste, mas deve ser algo entre 0,25 e 0,5 ponto percentual. O aumento maior deve acontecer em junho”, prevê Netto.

Segundo o economista Claudio Considera, professor do Ibmec-RJ e da Universidade Federal Fluminense (UFF), a Selic deve ficar entre 10% e 11% no fim do ano. “O aumento vai depender de como a inflação vai se comportar ao longo de 2010”.

Jornal Midiamax