De acordo com o doutor em Ecologia, capitão da Polícia Militar Ambiental, Ednilson Queiroz, os impactos ambientais são inevitáveis, mas poderiam ser atenuados com a contenção das águas nas residências

A forte chuva que caiu ontem na capital não trouxe grandes estragos nas obras da Avenida Ricardo Brandão, mas atrapalhou o andamento das atividades. Segundo os operários que trabalham no local a ordem da empreiteira responsável pelo serviço é não dar declarações para a imprensa.

A equipe do Midiamax acompanhou o trabalho dos operários durante a manhã. Os homens que estão trabalhando no local estavam despejando entulhos dentro do córrego Prosa, na região do Cachoeirinha.

Um dos engenheiros – que pediu para não ser identificado – contou que as obras terão continuidade, apesar das chuvas. “Hoje começamos a mudança do leito do córrego para que as galerias possam ser feitas. Será feito um sistema de drenagem e o fechamento com concreto”, explicou. Segundo ele não há um prazo para a entrega das obras.

De acordo com o capitão da Polícia Militar Ambiental, Ednilson Queiroz, os impactos ambientais são inevitáveis, mas poderiam ser atenuados com a contenção das águas nas residências. “Há outras maneiras de conter as águas pluviais, como a construção de cisternas e o reaproveitamento da água da chuva”, esclarece.

Queiroz, que é especialista em recursos hídricos, entende que as águas, ao serem barradas nas cisternas, podem impedir as enchentes. “Várias intervenções já foram realizadas, mas não geraram efeito, e é possível uma ação junto à população. As chuvas freqüentes têm mostrado que as obras não são suficientes, devido ao grande número de áreas impermeabilizadas”. Segundo ele, como a prefeitura não consegue fiscalizar todos os domicílios para ver se está sendo cumprida a lei do uso de solo, poderia ser dado desconto de IPTU para aqueles que construíssem sistema de contenção das chuvas.

A mesma opinião é compartilhada pelo especialista em planejamento urbano e professor de Arquitetura da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), Ângelo Arruda, que há tempos vem alertando sobre a falta de condições do solo na Bacia do Prosa, em entrevistas ao Midiamax.

Para Arruda, “o Plano Diretor da cidade não tem sido respeitado e, sem espaço, toda a água cai sobre o trecho canalizado do córrego Prosa, que não suporta o volume e aí aparecem os danos”.

“A cidade precisa parar e encontrar um caminho para o seu desenvolvimento. O Plano Diretor precisa ser respeitado, caso contrário a população vai continuar sofrendo as conseqüências pela falta de planejamento”, finalizou.