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Moradores do Portal Caiobá sentem-se abandonados e se unem contra a dengue

Bairro fica a cerca de 20 quilômetros da área central; sem infraestrutura, os casos de dengue preocupam - só em uma parte do bairro, 30 casos suspeitos da doença

Arquivo Publicado em 28/01/2010, às 12h00

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Bairro fica a cerca de 20 quilômetros da área central; sem infraestrutura, os casos de dengue preocupam – só em uma parte do bairro, 30 casos suspeitos da doença

Moradora da Rua do Poente, no bairro Portal Caiobá II, Eunice Gonçalves Martins, 40 anos, cansada de esperar a atitude de órgãos públicos para acabar com o lixo e com a infestação do mosquito transmissor da dengue, Aedes Aegypti, resolveu agir por conta própria. Nice, assim chamada pela vizinhança, uniu os moradores dos bairros Portal Caiobá I e II e Rancho Alegre para fazerem um mutirão de combate ao mosquito.

Ela conta que em apenas uma parte do bairro 30 pessoas tiveram dengue – casos suspeitos.

A ação denominada “Cruzada Contra a Dengue” vai acontecer nos dias 5 e 6 de fevereiro das 8h30 às 17h e tem como principal objetivo limpar os bairros e conscientizar os moradores da importância de se manter as casas e os terrenos limpos e sem água parada.

“Passaremos de casa em casa para conversar com as pessoas e falar dos procedimentos certos e errados em relação aos cuidados da dengue ”, afirma Eunice ao destacar que a rua do Poente já foi uma das melhores ruas do bairro, e hoje os veículos sentem a dificuldade de transitar pelo barro vermelho que se forma e demora a secar após cada chuva.

Sensibilizado com a situação dos bairros, um empresário resolveu ajudar e disponibilizará escavadeira e caçambas para o recolhimento do lixo.

Após a verificação, as casas que estiverem e mantiverem a limpeza, receberão adesivos que indicarão que naquela casa não há foco do mosquito da dengue. “Esse selo de qualidade serve para incentivar os moradores a criarem o hábito da limpeza, além de servir de exemplo para a prefeitura também”.

O administrador da ONG Instituto de Desenvolvimento Evangélico, Enéias de Andrade Barbosa, já teve dengue e é um dos que apóia a iniciativa de Eunice. “Já contraí a dengue há muito tempo. A doença aumentou muito aqui na região, mas esse ano surpreendeu, choveu muito e fez muito sol”, conta Barbosa ao destacar que aceitou prontamente a proposta de Nice. “A Nice me perguntou se eu queria fazer essa parceria, aceitei prontamente pois essa é nossa função no bairro”.

Cleumilda de Souza Sesé, 42 anos, acabou de ser curada da dengue e apóia a atitude da vizinha Nice. “Se não tiver alguém para lutar pela gente fica difícil. “Fiquei duas semanas doente, estou me recuperando agora”, diz a moradora da rua Poente ao falar do medo que sente de que o marido doente contraia a doença. “Meu marido tem câncer e está super debilitado e com a imunidade baixa, tenho medo que ele pegue dengue”.

A ação de Nice contará ainda com a participação de Moacir Caiado, ex secretário de saúde da cidade de Cianorte, Paraná.

 “Todo trabalho que busca uma solução de forma preventiva e que vem de encontro da comunicação dos órgãos públicos e que visa o bem estar da comunidade, é importante. Muitas vezes a ação vem de cima para baixo, porém é importante a conscientização e a ajuda da população”, observa o ex secretário ao destacar ainda que esse é um processo multiplicador. “Pode ser espelho para outros bairros e fazer com que problemas do gênero sejam evitados”.

Ainda na rua Poente a equipe do Midiamax encontrou mais uma família vítima da doença. A trabalhadora do lar, Maria das Graças Rodrigues, 61 anos, também se recupera da dengue.

O esposo de Maria, João Raposo Mendonça, lavrador, 74 anos, também já contraiu a doença, porém, agora é a vez do filho. Jorge Henrique Campos, auxiliar de produção, 24 anos, concedeu a entrevista ao Midiamax com muito esforço. Abatido, com febre e dores pelo corpo, Campos fala do descaso da população. “A dengue está por todo lado. Eu achava que não ia pegar porque eu não parava e casa, mas mesmo assim peguei. Parece que os postos de saúde não estão preparados para receber tanta gente com a mesma doença”.

Fernanda Irinéia Contreira do Nascimento, 50 anos, também moradora da rua Poente, já esteve com dengue e afirma que a parte dela ela faz. “Eu e minha filha pegamos a doença na mesma época. Aqui em casa só o meu marido que ainda não pegou. Meu quintal está sempre limpo mas as pessoas jogam lixo nos terrenos baldios, aí não adianta nada”.

SOBRE A DENGUE

A dengue é uma doença febril, causada por vírus, através da picada do mosquito Aedes Aegypti infectado. Pode ser considerada suspeita de dengue, a pessoa que apresentar: Febre, geralmente alta, com duração inferior a sete dias, acompanhada de pelo menos dos seguintes sintomas: cefaléia (dor de cabeça), dor retro-orbitária (dor no fundo dos olhos), mialgia (dores musculares), artralgia (dor nas articulações, prostração e exantema (manchas vermelhas).

A pessoa com dengue deve ficar em repouso, beber muito líquido e só usar medicamento para aliviar as dores e a febre, mas sempre com indicação médica. Não pode tomar remédios à base de ácido acetil salicílico, como Aspirina e AAS.

É importante que toda pessoa que apresente os sintomas, procure atendimento médico imediatamente, pois somente com o conhecimento dos casos é possível adotar as medidas de controle e prevenção de novos casos e principalmente evitar complicações.

Jornal Midiamax