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Mensalão: Arruda nega ter recebido favores de procurador

O ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, afirmou ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) que não recebeu benefícios ou favores do então procurador-geral do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), Leonardo Bandarra. Trechos do depoimento dado ao conselho no início de novembro, que estavam sob segredo de Justiça, foram revelados nes...

Arquivo Publicado em 13/12/2010, às 21h20

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O ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, afirmou ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) que não recebeu benefícios ou favores do então procurador-geral do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), Leonardo Bandarra. Trechos do depoimento dado ao conselho no início de novembro, que estavam sob segredo de Justiça, foram revelados nesta segunda-feira durante julgamento no CNMP. Os dois são suspeitos de envolvimento no caso conhecido como Mensalão do DEM.


A defesa de Bandarra decidiu quebrar o sigilo do depoimento por acreditar que a comissão formada no CNMP interpretou de forma equivocada a fala do ex-governador. Nos trechos divulgados, os conselheiros perguntam se Arruda recebeu algum benefício de Bandarra ou se pagou propina ao procurador-geral, ao que Arruda respondeu: “Nunca”.


Os conselheiros também perguntaram sobre a amplitude dos “tentáculos” do esquema irregular que se instalou no MPDFT. “Por mais que na minha cabeça eu tenha clareza de muita coisa, só posso dizer as coisas que tenho certeza. Fui achacado pela doutora (procuradora da República) Deborah (Guerner)”, disse Arruda. Um conselheiro perguntou se algum outro membro do MP lhe ofereceu algo diretamente. A resposta de Arruda foi negativa.


Hoje, o CNMP se reuniu para decidir três questões relativas ao procedimento administrativo que investiga supostos crimes cometidos por Bandarra e Guerner. A comissão pede a prorrogação do prazo para finalizar as investigações, a reformulação da acusação a partir de novos fatos que surgiram e o impedimento da participação do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, no julgamento. Apesar de não votar, Cavalcante tem voz no julgamento e poderia influenciar os demais conselheiros, alegou a defesa.


Mensalão do DEM


O mensalão do governo do DF, cujos vídeos foram divulgados em dezembro de 2009, é resultado das investigações da operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. O esquema de desvio de recursos públicos envolvia empresas de tecnologia para o pagamento de propina a deputados da base aliada.


O ex-governador José Roberto Arruda apareceu em um dos vídeos recebendo maços de dinheiro. As imagens foram gravadas pelo ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, que, na condição de réu em 37 processos, denunciou o esquema por conta da delação premiada. Em pronunciamento oficial, Arruda afirmou que os recursos recebidos durante a campanha foram “regularmente registrados e contabilizados”.

Jornal Midiamax