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Médicos receitaram antibióticos para gripe mal curada de Lula

Além do diagnóstico de uma crise de hipertensão, os médicos que atenderam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na madrugada desta quinta-feira, 28, no Real Hospital Português, em Recife, descobriram que ele estava com uma gripe mal curada. Tanto é que receitaram antibióticos para Lula tomar por pelo menos quatro dias, para dar fim […]

Arquivo Publicado em 28/01/2010, às 22h36

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Além do diagnóstico de uma crise de hipertensão, os médicos que atenderam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na madrugada desta quinta-feira, 28, no Real Hospital Português, em Recife, descobriram que ele estava com uma gripe mal curada. Tanto é que receitaram antibióticos para Lula tomar por pelo menos quatro dias, para dar fim à gripe. Lula queixou-se de que sentia um mal-estar por causa da pressão, e que estava com dores na garganta e dificuldades de respirar.

De acordo com informações do Hospital Português, os dois cardiologistas e o cirurgião toráxico que atenderam Lula submeteram o presidente a exames de raio-x e tomografia do tórax, exames de sangue e eletrocardiograma. Os resultados não ficaram no hospital de Recife. Foram encaminhados à Presidência da República para que sejam anexados a outros exames que vierem a ser feitos no presidente, em hospitais de Brasília ou de São Paulo.

Conforme informações de pessoas ligadas ao presidente, o mal-estar que levou Lula a ser hospitalizado no Recife teve início ainda no final da tarde de quarta-feira, enquanto ele participava da cerimônia de inauguração de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), do Sistema Único de Saúde (SUS), em Paulista, a 20 quilômetros da capital. Ao iniciar seu discurso, Lula disse que falaria pouco, porque estava com dores de garganta e não queria ser o primeiro paciente da UPA. Logo em seguida, ele tornou a demonstrar que não estava bem.

Durante cerimônia em homenagem às vítimas do Holocausto, Lula disse a auxiliares que se sentia muito cansado. Achou melhor, por exemplo, não se desviar do protocolo e ater-se ao discurso preparado por sua assessoria. Dali em diante, passou a ter a pressão monitorada pelo médico Cleber Ferreira, que há cinco anos o acompanha nas viagens oficiais e que foi quem o retirou do avião para ser hospitalizado em Recife.

Aliança presidencial

Apesar do desconforto físico, Lula buscou cumprir até o fim os compromissos de sua agenda. Seguiu da sinagoga para o Palácio do Campo das Princesas, sede do governo pernambucano, para o jantar organizado pelo governador Eduardo Campos (PSB). Ao chegar, e perceber o bolo de jornalistas, disse que não daria entrevista, porque estava com dores na garganta. E, durante o jantar, enquanto ministros e líderes partidários comiam calda de lagosta e se divertiam, Lula seguiu para uma reunião em uma sala reservada, para dar continuidade à conversa com o governador sobre a aliança presidencial nas eleições de 2010, junto com a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, e dirigentes do PT e do PSB.

Lula mal tocou na comida servida durante o jantar. E, logo depois da conversa com Campos, seguiu para o aeroporto, onde embarcaria para Davos, na Suíça, para ser homenageado durante o Fórum Econômico Mundial com o prêmio Estadista do Ano.

Auxiliares mais próximos de Lula só souberam que ele não havia seguido viagem quando o presidente já estava internado no Hospital Português, depois de receber ordens expressas de Cleber Ferreira para que permanecesse em Recife. Lula, contou o médico, insistiu até o último minuto em viajar para participar do Fórum. “Foi por ordem médica que ele não viajou”, disse Ferreira.

Assim que percebeu que a insistência não teria resultado, Lula telefonou ao presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, para que o representasse no evento. Posteriormente, o governo anunciou que o chanceler Celso Amorim também seria representante de Lula em Davos.

Apenas o ministro da Comunicação do Governo, Franklin Martins, acompanharia Lula na viagem a Davos. Assim que foram avisados, Dilma e Padilha abortaram o voo que fariam durante a madrugada para Brasília e também seguiram para o Hospital, onde passaram a noite. O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), quase caiu da cadeira durante o café da manhã, na quinta-feira, em um hotel na Praia de Boa Viagem. Ao ver a última edição do Diário do Comércio, que rodou por volta das 3 horas da manhã, Jucá comentou: “Não é possível. Eu me despedi dele no avião. Como é que ele foi hospitalizado?”

CRISE

A crise de hipertensão sofrida por Lula na noite de quarta-feira foi descrita pelos médicos como um episódio “fora do padrão”, considerando o histórico de saúde do presidente. “Foi um quadro esporádico. Ele não é hipertenso e a pressão dele é absolutamente normal, sempre foi. Para uma pessoa na idade dele, a pressão dele é invejável – 110 x 80. Então, a gente sabe que foi um quadro esporádico”, afirmou Ferreira. A pressão de Lula chegou a 18 x 12, ou 180 x 120.

A crise, segundo o médico, foi provocada por um “conjunto de fatores”, mais especificamente estresse, cansaço e uma gripe. “Foi um pouquinho de cada coisa”, disse. Como Lula reagiu rapidamente à medicação, o médico descreveu o caso do presidente como “benigno”.

Jornal Midiamax