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Jovem detido na casa de Bruno era perseguido por traficantes, dizem pais

O menor detido na casa do goleiro Bruno de Souza, no Rio, era perseguido por traficantes, segundo relato dos pais dele à Polícia Civil de Minas Gerais. No depoimento, que consta no inquérito policial sobre o desaparecimento de Eliza Samudio, o pai e a mãe do adolescente disseram que ele chegou a morar na casa […]

Arquivo Publicado em 17/07/2010, às 16h36

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O menor detido na casa do goleiro Bruno de Souza, no Rio, era perseguido por traficantes, segundo relato dos pais dele à Polícia Civil de Minas Gerais. No depoimento, que consta no inquérito policial sobre o desaparecimento de Eliza Samudio, o pai e a mãe do adolescente disseram que ele chegou a morar na casa de Bruno, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio, durante alguns meses, mas voltou para Minas Gerais, depois de envolvimento com o tráfico de drogas.


O adolescente tem 17 anos e é um dos suspeitos de envolvimento no sumiço de Eliza. Os pais dele vivem em Belo Horizonte.


Por causa dos problemas com as drogas, os pais pediram para que o menor fosse transferido do Rio para Minas Gerais nesta semana. A mãe do jovem disse que soube do envolvimento dele com entorpecentes quando o menino confessou que estava devendo cerca de R$ 600 para traficantes. O pai informou que o menino consumia cocaína.


Na última quinta-feira (15), o advogado Eliezer Jonatas de Almeida Lima disse que o menor está sofrendo crise de abstinência.


A mãe do jovem relatou à polícia que chegou a temer pela vida do filho, depois que ele foi levado para o centro de atendimento ao adolescente, na Ilha do Governador. O adolescente foi detido na terça-feira, dia 6, e, logo depois, levado para Minas Gerais para ajudar a polícia a localizar o local onde o corpo de Eliza teria sido enterrado. Ele voltou para o Rio na quarta-feira (7) e foi novamente levado para Minas Gerais na última terça (13).


No depoimento, a mãe do menor disse ainda que ficou por dois dias no sítio do goleiro, em Esmeraldas (MG), quando o suposto filho de Bruno com Eliza estava com Dayanne Souza, a ex-mulher do goleiro. Ela disse que não viu Eliza e a mala da modelo, que teria sido queimado. Ainda segundo o relato dela, todos que estavam na casa chamavam o bebê por Ryan.


O pai do jovem relatou que Bruno chegou a visitá-lo em 25 de junho, quando Dayanne foi presa em Minas Gerais. O jogador teria tentado tranquilizar os familiares, se dizendo inocente no desaparecimento de Eliza.


Mentiras
O primeiro depoimento do menor, no Rio de Janeiro, em 6 de julho, marcou uma reviravolta nas investigações sobre o desaparecimento de Eliza Samudio. Ele disse à polícia que Eliza foi agredida e morta. De acordo com o adolescente, um homem “alto, negro”, identificado como Neném, estrangulou a jovem e jogou a mão dela para os cachorros.


Na sexta-feira (16), a delegada Ana Maria dos Santos disse que o jovem mentiu sobre a cor da pele do homem que teria assassinado Eliza. De acordo com ela, o menor disse que estava com medo.


A polícia afirma que Neném é o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, que também é conhecido como Bola e Paulista. Ele já foi preso e nega envolvimento.


O pai do jovem disse ainda à polícia que recebia telefonemas do goleiro Bruno, no período em que o filho morou com o goleiro no Rio, informando estar com dificuldades de permanecer com o adolescente em sua casa, pois o menino mentia muito e não queria estudar.


Entenda o caso
Nascida em Foz do Iguaçu (PR), Eliza Samudio se mudou para São Paulo e posteriormente para o Rio. Em 2009, teve um relacionamento com o goleiro Bruno. Ela engravidou e afirmou que o pai de seu filho é o atleta. O bebê nasceu no início de 2010 e, agora, está com a mãe da jovem, em Mato Grosso do Sul.


A polícia mineira começou a investigar o sumiço de Eliza em 24 de junho, depois de receber denúncias de que uma mulher foi agredida e morta perto do sítio de Bruno. Os delegados já consideram Eliza morta.


Oito pessoas estão presas na Região Metropolitana de Belo Horizonte, por suspeita de envolvimento no desaparecimento da jovem, incluindo Bruno. Todos negam o crime.


No Rio, o goleiro e o amigo dele, Luiz Henrique Ferreira Romão, conhecido como Macarrão, são investigados por suspeita de participação no sequestro da jovem. Os dois também negam.

Jornal Midiamax