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JBS/Bertin: grevistas pedem agilidade do Ministério Público do Trabalho

Cerca de 250 pessoas ligadas ao Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Carne e Derivados protestaram na manhã desta segunda-feira (18) em frente ao prédio do Ministério Público do Trabalho (MPT), pedindo agilidade na apuração das denúncias feitas contra o frigorífico JBS/Bertin. Há duas semanas, os trabalhadores da unidade 2 de Campo Grande estão em […]

Arquivo Publicado em 18/10/2010, às 14h39

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Cerca de 250 pessoas ligadas ao Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Carne e Derivados protestaram na manhã desta segunda-feira (18) em frente ao prédio do Ministério Público do Trabalho (MPT), pedindo agilidade na apuração das denúncias feitas contra o frigorífico JBS/Bertin.


Há duas semanas, os trabalhadores da unidade 2 de Campo Grande estão em greve e reivindicam folga aos sábados, participação nos lucros da empresa e melhoria do plano de saúde.


Para o vice-presidente do sindicato, Wilson Gimenes, a empresa estaria cometendo ato antissindical ao contratar novos trabalhadores para substituir os grevistas. Além disso, os manifestantes cobram uma posição mais firme do MPT, já que várias audiências foram realizadas nos últimos 30 dias sem que houvesse acordo entre as partes.


O procurador do Ministério Público do Trabalho, Odracir Juares Hecht, contesta as acusações dos sindicalistas ao órgão. Para ele, os grevistas devem ter mais responsabilidade para fazer denúncias, e aguarda que o sindicato apresente provas contundentes dos fatos alegados.


Hecht citou duas denúncias feitas pelo sindicato ao MPT, mas que não foram comprovadas. A primeira refere-se à suposta demissão de 180 funcionários da unidade 2. A empresa sustentou que apenas 52 trabalhadores foram demitidos por causa do período de entressafra, e não por perseguição – como alegado pelos grevistas. Para isso, foram apresentadas escalas de abate e tabelas do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O procurador disse que também concedeu prazo para o sindicato provar as 180 demissões, mas não recebeu nenhuma documentação.


Em outra denúncia, o sindicato acionou o MPT para mostrar que o JBS/Bertin havia transferido 140 funcionários de outras localidades fora do Estado para Campo Grande, a fim de cobrir as ausências provocadas pela greve. No dia 7 de outubro, o procurador Odracir Hecht foi pessoalmente à unidade 2 e entrevistou 40 trabalhadores. Destes, apenas seis tinham sido transferidos temporariamente da unidade de Naviraí.


O procurador explicou que, por lei, a empresa não pode fazer novas contratações, mas a transferência é permitida. No caso específico do frigorífico, os grevistas deveriam formar uma comissão para evitar o perecimento da carne, mas isso não teria sido feito. Hecht disse que encontrou carcaças bovinas há sete dias na fila da desossa, quando o procedimento normal leva um dia.


No fim da manhã, Hecht recebeu uma comissão de manifestantes e ouviu as reivindicações. Gimenes disse que o procurador comprometeu-se a fazer uma nova diligência na unidade 2 do JBS/Bertin, para constatar a presença de trabalhadores de outros Estados. Em relação às 180 demissões, o vice-presidente explicou que o sindicato possui os registros de rescisões de funcionários com menos de um ano de contrato.

Jornal Midiamax