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Hospitais do Haiti sofrem com falta de medicamentos e comida

Os hospitais no Haiti estão com falta de produtos essenciais –inclusive morfina e analgésicos– para as dezenas de pessoas que diariamente precisam fazer amputações, assim como para os feridos por causa do recente terremoto, disse uma porta-voz da ONU. A porta-voz do Escritório para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha) da ONU, Elizabeth Byrs, revelou […]

Arquivo Publicado em 29/01/2010, às 15h03

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Os hospitais no Haiti estão com falta de produtos essenciais –inclusive morfina e analgésicos– para as dezenas de pessoas que diariamente precisam fazer amputações, assim como para os feridos por causa do recente terremoto, disse uma porta-voz da ONU.

A porta-voz do Escritório para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha) da ONU, Elizabeth Byrs, revelou que as 18 instalações hospitalares que funcionam em Porto Príncipe realizam entre 40 e 50 amputações diárias, sem que os pacientes recebam nenhum remédio para aliviar a dor após o efeito da anestesia.

Além disso, indicou que não há problemas de segurança graves em Porto Príncipe, mas incidentes menores isolados, sobretudo quando uma grande multidão se amontoa ao redor de um ponto de distribuição de alimentos.

Uma das tarefas principais das forças da ONU, dos Estados Unidos e da polícia haitiana é justamente a proteção dos comboios durante seu percurso e durante a distribuição da ajuda.

No entanto, reconheceu que um dos maiores temores das agências humanitárias é a “reconstituição dos grupos criminosos” que ficaram desarticuladas em consequência do terremoto.

Há indícios de que esses grupos “realizam uma nova divisão do poder”, do qual participam parte dos criminosos que sobreviveram e escaparam das prisões que desabaram no Haiti.

Alimentos

Enquanto isso, mais de duas semanas após o terremoto, apenas 67% da população atingida e que perdeu tudo no desastre recebe comida das organizações de ajuda.

A ONU distribuiu ontem 458 mil refeições e outras 70 mil foram oferecidas por outras entidades, frente a mais de 1 milhão de pessoas que estão nas ruas.

Outro problema é a necessidade imediata de abrigar as vítimas em acampamentos que muito provavelmente não suportarão a temporada de chuvas e furacões que se aproxima.

“Temos que agir rápido e, atualmente, os responsáveis da ONU avaliam qual é a melhor solução, porque sabemos que não se pode instalar as pessoas em abrigos temporários”, disse Byrs à Efe.

Sobre isso, o porta-voz da Organização Internacional de Migrações (OIM), Jean-Philippe Chauzy, disse que, diante da urgência, planeja-se instalar acampamentos de até 10 mil ou 15 mil pessoas, com a ideia de levá-las depois a alojamentos mais sólidos.

“É preciso utilizar casas pré-fabricadas que suportem pelo menos um furacão”, disse Byrs.

Outras opções estudadas são avaliar o estado dos edifícios que ficaram de pé para ver se as pessoas podem se instalar neles e apoiar a famílias cujas casas não se desabaram a receber mais uma família.

Tragédia

O terremoto aconteceu às 16h53 do último dia 12 (19h53 no horário de Brasília) e teve epicentro a 15 quilômetros de Porto Príncipe, que ficou virtualmente devastada. O Palácio Nacional e a maioria dos prédios oficiais desabaram. O mesmo aconteceu na sede da Minustah, missão de paz da ONU, liderada militarmente pelo Brasil.

Ainda não há um dado preciso do total de mortos. O balanço das Nações Unidas divulgado nesta segunda-feira indica um total de 112.250 mortos e outros 194 mil feridos. Já o governo haitiano confirmou neste domingo que o número de mortos no país já atingiu 150 mil somente na região metropolitana de Porto Príncipe.

Entre os brasileiros, 21 morreram, sendo 18 militares e três civis –a brasileira Zilda Arns, fundadora da Pastoral da Criança, o chefe-adjunto civil da missão da ONU no Haiti, Luiz Carlos da Costa, e uma brasileira com dupla-cidadania europeia que não teve a identidade divulgada a pedido da família.

Jornal Midiamax