Geral

Grupos de ajuda tentam acelerar entrega de comida no Haiti

Os funcionários de organizações de ajuda internacional tentavam acelerar os trabalhos no Haiti neste domingo, depois de a entrega de comida, água e remédios ter sido criticada por não chegar às vítimas 12 dias após o terremoto que atingiu o país. Os sobreviventes foram acomodados em cerca de 300 acampamentos improvisados por toda a capital, […]

Arquivo Publicado em 24/01/2010, às 15h15

None

Os funcionários de organizações de ajuda internacional tentavam acelerar os trabalhos no Haiti neste domingo, depois de a entrega de comida, água e remédios ter sido criticada por não chegar às vítimas 12 dias após o terremoto que atingiu o país.


Os sobreviventes foram acomodados em cerca de 300 acampamentos improvisados por toda a capital, Porto Príncipe. As pessoas reclamam que não estão recebendo ajuda suficiente, apesar da ampla campanha de auxílio internacional. 


 Em resposta às críticas, o diretor da USAid (agência americana para ajuda externa), Rajiv Shah, disse que sua organização está fazendo tudo que pode, em circunstâncias difíceis.


“A escala da destruição e as consequências para as pessoas… não têm paralelo (…) Nós nunca vamos atender às necessidades tão rapidamente como gostaríamos”, disse Shah à agência de notícias Reuters. “Nós vamos ficar aqui, prestando ajuda, por um longo tempo.”


No dia 12 de janeiro, um terremoto de magnitude 7 matou até 200 mil pessoas, segundo as autoridades haitianas, e deixou mais de 3 milhões de feridos e desabrigados. Após o desastre, o país –o mais pobre das Américas– ainda sofre com o atendimento médico insuficiente além da falta de comida e água.


Embora a ONU (Organização das Nações Unidas) tenham anunciado que o governo do Haiti havia suspendido as operações de busca e salvamento, equipes de resgate internacionais conseguiram resgatar no sábado um homem preso sob os escombros em Porto Príncipe. O governo haitiano, por sua vez, negou o fim das buscas. “O presidente não mandou encerrar as buscas. Elas continuam”, disse à Folha Volcy Assad, porta-voz de René Préval.


Após uma operação de resgate de quatro horas, o haitiano foi cuidadosamente retirado das ruínas do Hotel Napoli Inn. Ele é o mais recente resgatado entre mais de 130 pessoas retiradas com vida de edifícios destruídos por equipes de resgate internacionais.


Alimentos


Além dos desafios logísticos, há ainda preocupações sobre a segurança e sobre as operações de distribuição de comida, após episódios de saques logo após o terremoto.


Tropas dos Exércitos brasileiro e norte-americano planejam distribuir hoje alimentos na favela Cité Soleil, em Porto Príncipe. Em um acampamento na capital, ontem, pessoas desesperadas por comida pegaram sacos de arroz durante descarregamento de um caminhão, mesmo diante de guardas norte-americanos e da ONU. Os funcionários da Plan International interromperam o fornecimento de alimentos até que a multidão fosse controlada.


Cada saco de comida com a bandeira dos Estados Unidos estampada foi entregue para ser dividido para quatro adultos na fila. Cerca de 15 mil pessoas esperavam pelos mantimentos.


Coca-Cola


O haitiano de 25 anos resgatado ontem, após 11 dias sob os escombros da loja onde trabalhava, contou à agência France Presse que sobreviveu à base de Coca-Cola e doces. “Sobrevivi bebendo Coca-Cola. Bebia Coca-Cola todos os dias e comi algumas coisinhas doces”, explicou o jovem, levado para o hospital após ter sido resgatado por uma equipe de socorristas franceses, gregos e americanos.


Ele ficou preso nas ruínas da loja Napolitain, onde trabalhava no momento do terremoto. “Senti o tremor e perdi a consciência. Quando acordei, gritei ‘Gerald, Gerald!'”, disse, referindo-se a seu colega de trabalho.


 “Algo extraordinário aconteceu. Ele resistiu durante 11 dias, o que é especialmente incrível”, comemorou Didier le Bret, embaixador da França no Haiti, que acompanhou o salvamento. “Oficialmente, os trabalhos de busca e resgate terminaram ontem [sexta-feira], mas como os bombeiros são uma gente obstinada, vieram quando chamados.”

Jornal Midiamax