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Família de detento encontrado morto em presídio de Campo Grande recebe laudo nesta segunda

Os familiares não concordam com a versão de suicídio e alegam que o corpo de Wellinton estava muito machucado. O detento não foi levado pela Agepen para uma audiência marcada um dia antes da morte.

Arquivo Publicado em 20/12/2010, às 11h42

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Os familiares não concordam com a versão de suicídio e alegam que o corpo de Wellinton estava muito machucado. O detento não foi levado pela Agepen para uma audiência marcada um dia antes da morte.

A família do detento Wellinton de Arruda Correa, de 19 anos, encontrado morto no dia 19 de novembro deste ano, receberá no 3° DP o laudo pericial sobre as circunstâncias que levaram o jovem a óbito.

Wellinton foi encontrado morto no dia 19 de novembro na cela disciplinar do Presídio de Trânsito (PTran), no Complexo Penitenciário de Campo Grande com uma toalha no pescoço, segundo o boletim de ocorrência.

A família da vítima não acredita que o rapaz tenha se matado, como encaminhado pela investigação policial. O promotor Gilberto Robalinho da Silva conversou com parentes do detento em relação ao recebimento do laudo, e disse que um inquérito aberto pelo Ministério Público Estadual deve apurar as circunstâncias da morte.

Posição da família 

A contadora Ana Paula de Oliveira, 34, tia do rapaz, teve acesso às fotos da perícia e conta que o jovem apresentava lesões na testa, nariz e pé. “A pessoa que se suicida não se machuca, ele estava muito machucado, no nariz, rosto, unhas, além do pé que parecia estar quebrado”, disse.

“Eu creio que ele morreu lutando”, disse a avó de Wellinton, a aposentada Aparecida Correa, 57.

A família mostrou à reportagem o atestado de óbito que consta como causa da morte: asfixia mecânica externa, constricção do pescoço e enforcamento.

“Como que fizeram o atestado de óbito antes do resultado do Imol (Instituto de Medicina e Odontologia Legal) e da perícia técnica?”, questionou a contadora.

De acordo com o delegado Arantes Fagundes Filho do 3ª DP (Distrito Policial), a polícia está fazendo as investigações iniciais e precisa aguardar o laudo do Imol e da perícia técnica feita no local. Caso fique constatado que a vítima não se suicidou, as investigações serão aprofundadas.

Ele estava sozinho numa cela de regime disciplinar, conhecida pelos detentos como “solitária”, onde foi punido por ter cometido uma “falta grave”. Há informações de que ele teria sido flagrado usando um telefone celular dentro do presídio.

O órgão, que administra o sistema penitenciário estadual, informou que ele foi penalizado por ter utilizado um objeto não permitido. Porém não foi informado qual o objeto.

O avô do preso, Sebastião de Souza, de 49 anos, informou que um dia antes (18) de Wellinton ser encontrado morto, ele deveria ter prestado depoimento, porém não foi levado. A Agepen informou que não recebeu o pedido judicial para transportá-lo até ao Fórum da Capital .

Wellinton foi preso em flagrante pela PM no dia 31 de agosto, depois de tentar roubar um celular na Vila Progresso, na Capital. Segundo a Polícia Civil, o jovem simulou ter uma faca na cintura e com isso ordenou que a vítima, um jovem de 15 anos entregasse o aparelho telefônico.

Moradores perseguiram o rapaz, que foi preso e conduzido pela PM para a Derf (Delegacia Especializada em Roubos e Furtos). Ele foi encaminhado para o PTran no dia último dia 15 de setembro.

Pedido de liberdade

De acordo com informações do TJMS sobre o processo 0050734-93.2010.8.12.0001, o jovem deveria ter prestado depoimento na 2ª Vara Criminal no Fórum de Campo Grande no último dia 18 deste mês às 16h30. Um pedido de liberdade provisória para o réu deveria ser analisado pelo Ministério Público a pedido do magistrado.

Jornal Midiamax