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Estudo sobre o cerol será apresentado em Brasíla por perito de MS

Para comprovar o poder cortante da mistura feita entre o pó de vidro e a cola, usada por adolescentes quando empinam pipas, o perito criminal Evandro Rodrigo Pedão, do Instituto de Análises Laboratoriais Forense (Ialf) de Mato Grosso do Sul realizou uma pesquisa onde pôde analisar microscopicamente o popular cerol. O perito apresentará sua pesquisa, […]

Arquivo Publicado em 21/09/2010, às 11h05

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Para comprovar o poder cortante da mistura feita entre o pó de vidro e a cola, usada por adolescentes quando empinam pipas, o perito criminal Evandro Rodrigo Pedão, do Instituto de Análises Laboratoriais Forense (Ialf) de Mato Grosso do Sul realizou uma pesquisa onde pôde analisar microscopicamente o popular cerol. O perito apresentará sua pesquisa, “Identificação de material vítreo e caracterização do poder cortante de linha com cerol”, durante o 3° Seminário Nacional de DNA e Laboratório Forense que acontece na Universidade de Brasília (UNB) entre os dias 21 a 24 de setembro. O trabalho será em forma de pôster, contendo 28 páginas, que além de explicar o que é o cerol, expõe também fotos das análises e dos testes realizados.


De acordo com a pesquisa, existe uma disputa entre os adolescentes que transforma a brincadeira de soltar pipa em uma arma letal. O objetivo é cortar a linha da pipa oponente para que se possa ganhá-la, permanecendo assim somente uma pipa no ar. Um risco não só para as crianças, mas para todas as pessoas próximas à área.


O vidro é principal material para a produção do cerol. Segundo Evandro, primeiro os adolescentes transformam o vidro em pó, utilizando um pedaço de pau e um recipiente para moer, em seguida é acrescentado cola. Com as mãos livres e sem proteção, passam a mistura na linha usada para soltar pipa. Em alguns casos o vidro é substituído por limalha de ferro, o que pode provocar choques elétricos, principalmente durante uma tempestade ou com o contato de fios de alta tensão.


No decorrer do trabalho, os materiais foram coletados e analisados microscopicamente, na busca de fragmentos vítreos e material colante. Com o auxílio de um estereoscópico, foi possível comprovar a existência de fragmentos de material compatível com vidro colado na linha da pipa. Foi realizado também o teste de eficiência para avaliar o poder cortante do cerol utilizando a carne bovina.


“Usei uma linha, de aproximadamente 7,0 metros, contendo cerol, e um pedaço de carne bovina. A linha foi amarrada e esticada em suportes fixos. O pedaço de carne foi repassado entre a linha dividindo a carne em dois pedaços. Após o teste com pedaços de carne verificou-se que a amostra da linha que apresenta impregnações de fragmentos compatíveis com vidro é cortante, assim sendo, é capaz de produzir lesão corporal”, explicou o perito criminal Evandro.


O teste pôde comprovar que existe a possibilidade de levar alguém à morte, principalmente os motociclistas, apontados como a principal vitima do cerol. “Considerando alguns fatores, como velocidade de deslizamento, tensão da linha no momento de contato com o individuo, região do corpo atingida, bem como a profundidade da lesão e dos órgãos afetados, é possível que ocorra”, analisou Evandro.


Com essa metodologia, foi possível contribuir com os trabalhos de Polícia Judiciária da Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e a Juventude (Deaij) para a elucidação de onze casos envolvendo pipas, cujas linhas continham o cerol. A partir destes exames, o Ialf passou a apresentar palestras em eventos sociais de conscientização à população, expondo sobre os perigos que a utilização de cerol pode trazer às pessoas, sobretudo às crianças e motociclistas.

Jornal Midiamax