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Estelionatário vendia carros furtados com placas “quentes” e recibos falsos

Ao menos três clones já foram identificados pela polícia. Agora, a polícia trabalha para localizar Lucas Garcia Arce, que é apontado como chefe do esquema em Campo Grande.

Arquivo Publicado em 28/10/2010, às 20h25

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Ao menos três clones já foram identificados pela polícia. Agora, a polícia trabalha para localizar Lucas Garcia Arce, que é apontado como chefe do esquema em Campo Grande.

A Polícia Militar descobriu nesta quinta-feira (28) um esquema de venda de carros roubados. Um dos veículos chegou a passar pela vistoria do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MS) que não conseguiu identificar o histórico do veículo.

O esquema funcionava da seguinte maneira: um carro furtado recebia a placa de outro veículo sem restrições do mesmo modelo, ano e cor e passava a ter “placa quente” e com isto acabava circulando livremente, inclusive despercebido da fiscalização da polícia. Somente com uma vistoria detalhada no chassi é possivel verificar a origem do veículo. 

Militares do Décimo Batalhão receberam uma denúncia da vítima Marcelo Jorge Torres Lima sobre um golpe no qual ele caiu no mês de setembro e os ajudou a desmontar o esquema hoje. Ele relatou que comprou um veículo Corola, placa EGM-7350, de Campinas-SP, de Lucas Garcia Arce, 25.

No dia da compra, ele fez todos os trâmites recomendáveis para checar possíveis restrições no Detran em relação ao carro e nada constou, segundo ele mostrando os documentos de vistoria do órgão.

Dias depois foi surpreendido por uma equipe do Garras em sua casa, que acabou apreendendo o carro, atualmente recolhido no pátio da unidade policial. A vítima relatou à reportagem que resolveu fazer uma investigação por conta, já que não queria ficar com o prejuízo e ainda correr o risco de ser incriminado pela prática de montagem de carros dublês.

Segundo Marcelo, ao vender o carro Lucas deu o nome de Wellington C. Braga, emitiu um recibo do automóvel neste nome e prometeu dar carnê com as parcelas restantes em alguns dias, fato que nunca aconteceu. Como entrada ele deu R$ 17 mil.

No final da manhã de hoje, acompanhado de um policial a paisana, a vítima foi até uma garagem, localizada na Avenida Bandeirantes, que é de propriedade do pai de Lucas. Marcelo descobriu que ali tinha um Honda Civic, placa HHC-1003, de Belo Horizonte/MG, à venda.

Ao chegar à VeiMotors, a vítima viu Lucas sair do local com o veículo anunciado para venda. O policial deu ordem de parada, mas o condutor acelerou, quase atropelou o PM e fugiu. Ele abandonou o veículo no bairro Oiti, que fica na saída para Três Lagoas.

Diante da fuga de Lucas, o policial acionou reforço e entrou na garagem do pai de Lucas, identificado como Antônio Jesus Arce e do sócio Darci Alves Melo. Lá foi encontrado outro veículo com placa esquentada: um Stillo, com placa de Belo Horizonte/MG, que tinha registro oficial de furto no dia 6 de outubro deste ano.

“Eu não sabia de nada. Pra mim é a maior surpresa. Eu não sabia que meu filho estava envolvido nisso”, falou Antônio Arce. Darci Melo se defendeu dizendo que “o Stilo é de uso do Lucas. A gente não sabia. Ficava lá parado”. Os dois foram encaminhados primeiramente para um pelotão do Décimo Batalhão e depois para a Defurv. Lucas ainda não foi localizado.

Segundo a polícia, durante abordagem a placa é checada, porém somente o número do chassi pode revelar verdadeiramente a identidade de um veículo. Sobre quais crimes Lucas pode ser enquadrado, foi informado que pode ser de estelionato, formação de quadrilha, receptação e ainda roubo e furto se ficar provado sua participação nisto.

Jornal Midiamax