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Estádio do Corinthians será muito mais na Copa, diz arquiteto

O estádio do Corinthians custará muito mais do que os R$ 510 milhões previstos inicialmente caso seja escolhido para sediar a abertura da Copa do Mundo de 2014. Segundo Aníbal Coutinho, sócio da empresa Coutinho, Diegues, Cordeiro/DDG, que é a responsável pelo projeto do estádio, a arena corintiana não foi projetada para atender às exigências […]

Arquivo Publicado em 02/09/2010, às 22h48

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O estádio do Corinthians custará muito mais do que os R$ 510 milhões previstos inicialmente caso seja escolhido para sediar a abertura da Copa do Mundo de 2014. Segundo Aníbal Coutinho, sócio da empresa Coutinho, Diegues, Cordeiro/DDG, que é a responsável pelo projeto do estádio, a arena corintiana não foi projetada para atender às exigências do caderno de encargos da Fifa para a Copa de 2014.


O custo total de R$ 350 milhões para o estádio com capacidade para 48 mil pessoas e de mais R$ 160 milhões para que sejam instalados outros 22 mil lugares é a menor parte do processo de transformações que a nova arena teria que passar para se adequar. A Fifa exige que a arena da abertura da Copa tenha capacidade mínima para 65 mil pessoas. Segundo Coutinho, as mudanças internas serão muito mais caras e complicadas de serem feitas.


– Esse estádio tem um padrão bastante elevado, dentro dos padrões da Fifa, mas não é um estádio com todas as instalações para a Copa do Mundo. A Copa tem instalações diferenciadas porque concentra mídia, jornalistas, público vip, convidados para os quais você tem que tomar uma série de providências provisórias, o que tem um custo a mais. Para colocar chefes de Estado lá dentro precisa ter detectores de metal, exames inferior de automóveis. Fora toda a parte de patrocinadores, você precisa de uma estrutura para tudo isso. E aí o estádio passa a custar mais.


Os 22 mil lugares a mais que são necessários para adequar a capacidade do “Fielzão” para a abertura da Copa representam a parte mais fácil do processo.


– A arquibancada extra é o mais simples. Por exemplo, o estádio de uma determinada cidade precisa de 400 lugares para jornalistas durante a Copa. Só que depois do Mundial ele vai precisar só de 30. Ele não precisa dessas bancadas todas nem de muitas coisas que serão apenas provisórias. Além disso, tem toda a desmontagem do que foi feito provisoriamente, a segurança, são vários aspectos que alguém tem que pagar. Tem todos esses custos que ninguém fala.


Para atender ás exigências da Fifa para a Copa de 2014, o “Fielzão” teria que ter, por exemplo, o dobro de instalações elétricas, para evitar que falte luz durante uma partida de Copa do Mundo.


– Um exemplo simples: todas as instalações elétricas têm que ser em duplicidade, então você não faz uma instalação, mas sim duas no mesmo lugar. Tem que ter duas entradas de energia, para se ter a segurança de que não vai faltar luz na hora do jogo. Não se pode correr o risco de faltar energia nem por um segundo na Copa.


O arquiteto, que trabalha no projeto desde 2007, diz ainda que não fez nenhuma previsão de quanto a mais pode custar o estádio do Corinthians por um simples motivo: até agora, o clube não foi procurado pela CBF.


– O estádio foi projetado quando o Morumbi ainda era o estádio de São Paulo. A gente não fez nenhuma suposição de valores, porque ainda não fomos procurados por ninguém. Aliás, a CBF não convida estádios. O comitê de São Paulo tem que ir ao Corinthians, convidar o Corinthians, o clube tem que dizer sim. Aí coloca o estádio vai ser analisado pelo comitê local da Fifa, que tem arquitetos que avaliam isso e passam uma lista de coisas para fazer. Aí o clube tem que pegar essas exigências, transformar em projeto e fazer o orçamento.


Comparar o preço do projeto corintiano com o de outros estádios já escolhidos para a Copa, portanto, não faz sentido.


– Eu vi comparações do preço do estádio do Corinthians com outros que estarão na Copa. Mas é claro que os outros estádios da Copa custam mais que o do Corinthians, porque eles foram projetados com as requisitos da Fifa para o megaevento que é a Copa do Mundo.


Coutinho diz que por sorte o estádio do Corinthians poderá suportar as modificações que devem ser feitas para o Mundial. O arquiteto, porém, acredita que pode ser obrigado até a aumentar o tamanho da arena caso a Fifa escolha o projeto para a abertura.


– Ele tem espaço suficiente para as adaptações internas porque por sorte nós projetamos o estádio com um centro de convenções com 15 mil m². Mas talvez seja obrigado a crescer mais o projeto inicial, mas não sei dizer quanto.

Jornal Midiamax