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Ensino Médio será implantado em presídio da Capital em 2011

Reeducandos do Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho (EPJFC), Segurança Máxima de Campo Grande, poderão cursar o Ensino Médio na escola instalada na unidade penal, a partir do ano que vem. A informação foi dada na terça-feira (14) pelo Setor de Educação da Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen), durante a cerimônia de […]

Arquivo Publicado em 18/12/2010, às 16h52

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Reeducandos do Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho (EPJFC), Segurança Máxima de Campo Grande, poderão cursar o Ensino Médio na escola instalada na unidade penal, a partir do ano que vem. A informação foi dada na terça-feira (14) pelo Setor de Educação da Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen), durante a cerimônia de conclusão do ano letivo no presídio.

A implantação do Ensino Médio no EPJFC é uma conquista não só para os detentos como também para a direção do presídio e para os responsáveis pela educação prisional em Mato Grosso do Sul. A unidade penal ficou quase três anos com a escola desativada após a rebelião ocorrida em 2006, sendo retomado o Ensino Fundamental no início do ano passado. Todo o setor educacional do presídio foi reformado, com cinco salas de aula, implantação da sala de informática, de uma biblioteca e uma sala de vídeo.

Conforme direção da Escola Estadual Polo Regina Lúcia Anffe Nunes Betine – responsável pelo ensino nos presídios do Estado – também está prevista a ativação do Ensino Médio na Penitenciária Harry Amorim Costa (Phac), em Dourados, assim como já ocorre no Instituto Penal de Campo Grande e no Estabelecimento Penal Feminino “Irmã Irma Zorzi”; outras 17 unidades [incluindo o EPJFC e a Phac] já oferecem o Ensino Fundamental.

Também está previsto que o ensino formal seja estendido no ano que vem às outras unidades penais de regime fechado, que ainda não possuem escola instalada; são elas: Centro de Triagem (Capital), Estabelecimento Penal de Rio Brilhante; Penitenciária de Dois Irmãos do Buriti, Estabelecimento Penal de Jardim e Estabelecimento Penal Feminino de Três Lagoas. Com a implantação nessas unidades, a Agepen conclui a implantação de escolas em todos os estabelecimentos penais de regime fechado

A educação em estabelecimentos penais é oferecida por meio de uma parceria entre a Agepen e a Secretaria Estadual de Educação. Os detentos estudam no Sistema EJA [Educação de Jovens e Adultos] e seguem os mesmos procedimentos dos demais alunos do EJA da rede estadual de ensino.

Formatura

Sete internos receberam certificado de conclusão do Ensino Fundamental durante a solenidade de conclusão do ano letivo no presídio. O evento contou com a participação do diretor-presidente da Agepen, Deusdete Oliveira; do diretor de Assistência Penitenciária, Leonardo Arévalo Dias; do diretor de Operações, Pedro Carrilho de Arantes, e da diretora da escola Regina Betine, Regina Salles, além de chefes de divisão da Agepen e servidores penitenciários. Familiares dos formandos e internos que estudam também participaram do evento, realizado no auditório do EPJFC.

Organizada pela administração do presídio, professores e cerimonial da Escola Penitenciária, a cerimônia teve direito a apresentação teatral encenada pelos reeducandos, com a peça “Uma noite especial” – alusiva ao Auto de Natal. Professores e internos também firam apresentação de dança.

Para o diretor presidente da Agepen, o momento foi principalmente de reflexão e contentamento, tendo em vista a importância da educação no processo de reinserção social. “Essa é uma oportunidade que está sendo dada aos senhores, um esforço de muitas pessoas que acreditam num futuro melhor para vocês; cabe aos senhores saberem aproveitar”, enfatizou.

Thiago Mion, 19 anos, foi um dos que concluíram o Ensino Fundamental no presídio. Preso há oito meses, ele contou que apostou na educação como uma forma de ocupar a mente e poder buscar um novo caminho. “Deixei a escola há uns dois anos, quando cursava a oitava série, na época não percebi como poderia me fazer falta o estudo”, comentou. “Agora penso em concluir o ensino médio”, completou.

O reeducando recebeu o certificado das mãos de sua mãe, Marileide Mion Correia. Segundo ela, “entregar o diploma” para o filho foi um momento de grande satisfação. “Ele sempre foi um menino educado, comportado, mas se envolveu com más companhias e veio parar aqui; ele me prometeu que quando sair nunca mais vai voltar; estou acreditando nisso”, disse, ressaltando que o fato de estar estudando é um sinal disso.

Jornal Midiamax