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Enquanto empresa fatura com parquímetro, condutores não conseguem vaga para estacionar

Motoristas reclamam de pagar pelo serviço e por não saberem onde os recursos são aplicados. O SER (Serviço de Estacionamento Regulamentado) movimenta pelo menos R$ 39,6 mil em um dia; em um mês, são R$ 950,4 mil, segundo estimativa

Arquivo Publicado em 26/03/2010, às 17h20

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Motoristas reclamam de pagar pelo serviço e por não saberem onde os recursos são aplicados. O SER (Serviço de Estacionamento Regulamentado) movimenta pelo menos R$ 39,6 mil em um dia; em um mês, são R$ 950,4 mil, segundo estimativa

Encontrar um lugar para estacionar na área central depende da sorte ou de paciência. Mesmo com as 2,2 mil vagas do parquímetro, que custa R$ 3,00 por duas horas, os condutores encontram dificuldade para achar vaga, e reclamam de pagar pelo serviço cujos recursos eles não sabem onde são aplicados.


Se cada uma das vagas ficar ocupada por 12 horas – o que equivale a R$ 18,00 -, em um dia o SER (Serviço de Estacionamento Regulamentado) movimenta R$ 39,6 mil. Isso significa que em uma semana são ao menos R$ 237,6 mil, e em um mês R$ 950,4 mil.


Dificuldade


O Midiamax percorreu o quadrilátero que compreende as ruas 14 de Julho, Barão do Rio Branco, 13 de Maio e Avenida Afonso Pena, e ouviu várias reclamações. “É sempre muito difícil estacionar aqui na Rua 14 de Julho, ainda mais neste horário e principalmente no sábado, que é uma loucura”, disse Melina Almeida, 27. Também na 14 de Julho, Gilson da Silva, 24, desempregado, contou que todas as vezes que vai ao Centro tem que rodar muito para conseguir estacionar.


“Se passar 20 minutos, a gente recebe notificação e depois é multado. São R$ 15,00 a notificação e R$ 53,00 a multa”. A dificuldade também é encontrada a seis quadras da área central, na região do Fórum de Campo Grande – localizado na Rua da Paz e Barão do Rio Branco –, no Jardim dos Estados.


A advogada Mione Romanhole, 47, disse que vai ao Fórum todos os dias e lá fica de 30 minutos até 4 horas. Ela recarrega a cada quinze dias o chaveiro do parquímetro. “Não vejo benefício da utilização do parquímetro. Para a cidade, onde está o benefício? Certa vez já tive problema com o chaveirinho azul, e tive prejuízo. Isso não tem retorno. É como um pedágio nas estradas, com a diferença de que no pedágio vemos o retorno do dinheiro. É uma roubalheira”.


Para a advogada, a área do Fórum é um perímetro que gera movimento financeiro e gera dinheiro para a empresa que administra os serviços.


Multa


A assessoria do Flexpark informou que só são multados os motoristas flagrados com a notificação de cor amarela. Quem autua são os fiscais da Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito). Só na região do Fórum há um agente municipal de trânsito que todos os dias autua 25 condutores, segundo informações dele à reportagem.


 Estacionamentos


 Quem ganha com a movimentação de carros na área central são os donos de estacionamento particular. No quadrilátero central já citado há pelo menos cinco estacionamentos, que cobram cerca de R$ 2,00 por hora. Já em frente ao Fórum são pelo menos três estacionamentos.


O funcionário de uma das garagens, Fabrício Brunetto, 28, disse que ali o movimento representa rentabilidade. Pela hora é cobrado R$ 2,00. Os servidores do Fórum são mensalistas, e têm vantagens por isso: para clientes fixos o valor é negociado. “O pessoal paga para ter mais conforto e segurança”, comemora.


(Editado às 16h15, para correções)

Jornal Midiamax