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Enquanto Artuzi ‘torra’ dinheiro público, criança índia cai na mendicância por prato de comida

O garotinho da fotografia tem sete anos e é órfão – a mãe morreu assassinada e o pai de uma ‘doença na pele’, segundo ele; todos os dias o menino guarani caiuá perambula atrás de comida em frente aos restaurantes da cidade que foi sacudida por um escândalo motivado pelas prisões do prefeito, do vice, do presidente da Câmara e mais uma dúzia de empreiteiros implicados num esquema...

Arquivo Publicado em 07/09/2010, às 20h20

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O garotinho da fotografia tem sete anos e é órfão – a mãe morreu assassinada e o pai de uma ‘doença na pele’, segundo ele; todos os dias o menino guarani caiuá perambula atrás de comida em frente aos restaurantes da cidade que foi sacudida por um escândalo motivado pelas prisões do prefeito, do vice, do presidente da Câmara e mais uma dúzia de empreiteiros implicados num esquema de corrupção

Até agora, uma semana após as prisões das 28 pessoas ligadas a uma trama corrupta na cidade de Dourados, nem a Polícia Federal, que investiga o esquema, sabe ao certo a quantia desviada pela quadrilha supostamente liderada pelo prefeito da cidade, Ari Artuzi, do PDT.

Fala-se até agora em cifras que alcançam milhões de reais. Se de um lado um bando surrupia os cofres do município, do outro, uma realidade que parece insistir em não mudar: crianças pequenas, índias, se viram como podem para garantir um prato de comida.

Um dia após as prisões, a reportagem do Midiamax viu uma cena que se repete há pelo menos dois anos na vida de um garotinho morador da aldeia Jaguapiru, a mais povoada de Mato Grosso do Sul, distante 5 km do centro de Dourados.

A., disse que tem 7 anos de idade e, desde os 5, cumpre uma missão: ela vaga pelas portas dos restaurantes da cidade atrás de almoço. “Sempre venho aqui”, disse o menino já conhecido das atendentes de uma casa especializada no preparo de peixes.

O índio guarani caiuá disse que vive com a “madrasta” e o “padrasto” [ele quis dizer pais adotivos]. “Minha mãe morreu a facadas e meu pai de uma doença na pele. Agora, sou criado por eles [o garotinho apontou para o meio da quadra, onde um casal de índios, aparentando ter entre 25 e 30 anos de idade aguardava um marmitex doado ao indiozinho].

Os dois responsáveis pela criança aguardavam a comida, como mostram as fotos. O menino pega o marmitex, sobe na bicicleta, atravessa a rua e segue até os pais.

Junto com o casal mais duas crianças que seriam irmãos de A., o menino de sete anos que anda pela cidade todos os dias atrás de comida. Ele disse que cursa a segunda série na “Missão Caiuá” e que só não busca comida na rua em dias que ganha refeição na escola. Políticos da região costumam dizer que índio é uma questão federal.

Histórias iguais a de A. multiplicam-se entre as crianças índias das duas aldeias situadas aos arredores de Dourados: a Jaguapiru e a Bororo. As crianças não só buscam por alimentos na hora do almoço, mas também à noite e até de madrugada.

Note o abismo que separa o cotidiano das crianças índias e o ganho dos integrantes da quadrilha supostamente chefiada pelo prefeito de Dourados, Ari Artuzi, do PDT, que arrecadava dinheiro por meio de fraudes em licitações públicas.

1 – O esquema rendia ao menos meio milhão de reais por mês ao grupo

2 – Somente o prefeito, segundo relatos captados pela PF, recebia R$ 68 mil mensais ao manter contratos com uma empresa de transporte escolar

3 – O presidente da Câmara dos Vereadores da cidade, Sidlei Alves, do DEM, tido pela PF como um dos mais “vorazes” devoradores do dinheiro público, recebia uma bolada de R$ 120 mil para distribuir aos colegas. Pelo “benefício”, Sidlei aprovava todas as indicações do prefeito na Câmara

4 – O vereador Humberto Teixeira Júnior, catava R$ 20 mil, R$ 10 mil e pretendia arrecadar R$ 1 milhão para bancar sua campanha

5 – Alziro Moreno, o procurador do município, cuja missão era o de defender os interesses da prefeitura, sabia de todo o esquema e também recebia propina, segundo a PF

Jornal Midiamax