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Eliza teria pedido apartamento e dinheiro para não denunciar Macarrão por tráfico

Um apartamento no Rio de Janeiro e o pagamento de R$ 50 mil. Essas teriam sido as exigências de Eliza Samudio, 25 anos, feitas ao ex-amante, o goleiro suspenso do Flamengo, Bruno Fernandes, antes de ser possivelmente espancada e morta. A revelação, feita ao Hoje em Dia, é de uma nova testemunha que estava no […]

Arquivo Publicado em 14/07/2010, às 18h56

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Um apartamento no Rio de Janeiro e o pagamento de R$ 50 mil. Essas teriam sido as exigências de Eliza Samudio, 25 anos, feitas ao ex-amante, o goleiro suspenso do Flamengo, Bruno Fernandes, antes de ser possivelmente espancada e morta. A revelação, feita ao Hoje em Dia, é de uma nova testemunha que estava no sítio do atleta, em Esmeraldas (MG), e que promete se apresentar à Polícia Civil.


As exigências de Eliza teriam sido feitas em troca do silêncio sobre o suposto envolvimento de Luiz Henrique Romão, o Macarrão, amigo e braço direito do goleiro, com o tráfico de drogas em Ribeirão das Neves, cidade da região metropolitana de Belo Horizonte (MG).


Segundo a testemunha, que está muito assustada e com medo de ser a próxima vítima, Eliza teria deixado o sítio de Bruno, no dia 8 de junho, dentro do porta-malas de um carro preto, usando uma peruca loura e com dois dentes da frente quebrados.


A Polícia Civil de Minas Gerais pretende fazer uma acareação entre o adolescente de 17 anos, primo de Bruno que chegou na terça-feira (13) do Rio de Janeiro, e os demais suspeitos. A estratégia da Polícia Civil e do Ministério Público para conseguir que os presos ajudem na localização dos restos mortais de Eliza será divulgar os benefícios da “delação premiada”. Pela Lei nº 8.072/90, “a pessoa que denunciar à autoridade o bando ou quadrilha, possibilitando seu desmantelamento, terá a pena reduzida de um a dois terços”.


Por outro lado, o advogado Ércio Quaresma, que defende Bruno e mais cinco suspeitos de envolvimento na morte de Eliza, vai entrar com recurso no Tribunal de Justiça de Minas Gerais, alegando que houve ilegalidade no mandado de busca e apreensão no sítio do goleiro.



Segundo o advogado, a ordem para que a Polícia Civil e os peritos entrassem na propriedade deveria ser dada pela Justiça de Esmeraldas, e não de Contagem (MG), onde o mandado foi expedido no dia 28 de junho.


Na opinião do advogado Paulo Alvarenga Tolentino, especialista na área criminal, esse questionamento poderá fazer com que o Supremo Tribunal Federal (STF) mande soltar todos os suspeitos que foram presos a partir de provas colhidas no sítio.


Mas, para o advogado Breno Montreal, que estuda a jurisprudência de crimes hediondos, a repercussão do crime de Eliza – com destaque para a suspeita de que partes do corpo tenham sido jogadas para cães ferozes –, poderá fazer com que a Justiça mantenha todos os envolvidos na prisão. Até a tarde dessa terça-feira, o Tribunal de Justiça de Minas não havia recebido nenhum pedido de libertação de Bruno e dos outros presos.


Polícia busca vestígios em cães


Onze cães, entre eles quatro da raça rottweiler, que eram criados pelo ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, Paulista, Russo ou Neném, em Vespasiano, na região metropolitana de BH, poderão passar por exames especiais. A ideia é que, por meio dos testes, a  Polícia Civil consiga verificar se eles  ainda possuem algum vestígio que  indique que os animais teriam se alimentado de partes do corpo de Eliza.


O médico veterinário Fernando Pinto Pinheiro, de Contagem, foi chamado para conversar com o chefe do Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa de Belo Horizonte, delegado Edson Moreira, que queria saber a possibilidade de realização desses exames.


No encontro, o médico afirmou ao policial que os testes são possíveis, desde que os cães sejam levados para sua clínica, no bairro Eldorado. Lá, depois de anestesiados, teriam os pelos do focinho, da cabeça e do resto do corpo analisados com luminol –substância química que mostra presença de vestígios de sangue em qualquer material.


O delegado questionou se o fato de os cães não terem sido submetidos a banhos ou a chuvas, já que a temporada é de seca, poderia contribuir para preservar os possíveis vestígios. De acordo com o médico, esses são fatores que podem assegurar a existência, ainda, de indícios nos pelos e na pele dos animais, apesar do tempo já decorrido do desaparecimento da vítima.

Jornal Midiamax