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Eliza Samudio pode ter sido vítima do tráfico

A Polícia Civil de Minas Gerais investiga uma segunda motivação para o assassinato da modelo Eliza Samudio – além da briga pelo reconhecimento da paternidade de seu filho por parte do goleiro Bruno Fernandes. A jovem teria descoberto um suposto esquema de tráfico de drogas comandado pelo braço-direto do atleta do Flamengo, Luiz Henrique Ferreira […]

Arquivo Publicado em 12/07/2010, às 17h00

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A Polícia Civil de Minas Gerais investiga uma segunda motivação para o assassinato da modelo Eliza Samudio – além da briga pelo reconhecimento da paternidade de seu filho por parte do goleiro Bruno Fernandes. A jovem teria descoberto um suposto esquema de tráfico de drogas comandado pelo braço-direto do atleta do Flamengo, Luiz Henrique Ferreira Romão, o “Macarrão”. Eliza teria pressionado Macarrão a negociar com Bruno a realização de um exame de DNA. Caso contrário, ela iria à imprensa denunciá-lo.


Conforme informou uma fonte da Polícia Civil ao HOJE EM DIA, o esquema de tráfico de drogas que seria comandado por Macarrão funcionaria em morros do Rio de Janeiro e na Região Metropolitana de Belo Horizonte, principalmente em Ribeirão das Neves e Vespasiano.


Ainda de acordo com a polícia, um traficante que teria recebido R$ 70 mil para dar um fim aos restos mortais de Eliza trabalharia para Macarrão. A jovem, de 25 anos, foi assassinada no início de junho, após ter sido atraída do Rio de Janeiro para Belo Horizonte com a promessa de ter seus direitos garantidos.


A polícia está com o notebook de Eliza desde sexta-feira e rastreia informações que possam relacionar o crime a uma retaliação de Macarrão.


Ontem, nenhum dos delegados que participam das investigações foi localizado para comentar o caso. Edson Moreira, chefe do Departamento de Investigações, viajou para Unaí, no Noroeste do estado, onde o também delegado Wagner Pinto, que atua na divisão, casou-se.


Seis suspeitos de participação no sequestro e morte de Eliza Samudio estão detidos na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem. Apenas depois de 30 dias eles conseguirão ter o beneficio de receber visitas. A presença de advogados, no entanto, é liberada.


Celas individuais


De acordo com informações da Secretaria de Estado de Defesa Social, os suspeitos aguardam o andamento das investigações em celas individuais, sem nenhum contato com os outros presos. Além do goleiro Bruno, estão na Nelson Hungria Macarrão, o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o “Paulista” – que teria assassinado Eliza –, Wemerson Marques, o “Coxinha”, Flávio Caetano e Elenilson Vitor da Silva.


No sábado, Bruno tomou café da manhã por volta das 7h20, com pão e manteiga e café com leite. No almoço, servido por volta das 11h30, comeu carne suína em cubos, canjiquinha, salada de repolho e tomates, arroz e feijão e banana de sobremesa. Por volta das 14 horas foi servido pão, café e suco. No jantar, às 17h30, o atleta comeu carne moída com inhame e abóbora, além de arroz, feijão e salada. De sobremesa, dois tabletes de doce.


A polícia pretende colocar frente a frente o menor J., 17 anos, primo de Bruno, com os demais suspeitos de envolvimento no crime. O adolescente foi responsável pela reviravolta no caso. Após ser apreendido na residência do goleiro, no Rio de Janeiro, o menor revelou detalhes sobre como Eliza foi sequestrada e morta. A acareação poderá esclarecer dúvidas e contradições do caso.


A Polícia Civil já teria entrado com um pedido de transferência de J., que está apreendido em um estabelecimento para menores no Rio. Ontem, o tio dele informou que o rapaz estaria jurado de morte e pediu providências à polícia para sua proteção.


O advogado Ércio Quaresma, que defende o goleiro Bruno e outros suspeitos de cometer o crime, revelou que pretende deflagrar uma investigação paralela sobre o caso. Médicos legistas e peritos, que poderão emitir pareceres sobre laudos e outros documentos, estão sendo contratados pelo advogado.


A medida visa obter informações sobre os lugares onde foram realizadas buscas por Eliza e outros suspeitos através de material fotográfico, mapas e novas testemunhas. Segundo o advogado, essa nova investigação tem como objetivo provar a inocência de seus clientes. “Vamos buscar a verdade que a polícia não tem”, assinala Quaresma, que acredita na possibilidade de a jovem ainda estar viva.


Delegacia de Homicídios de Contagem investiga a participação de uma suposta amante do goleiro Bruno no desaparecimento de Eliza Samudio. A mulher se chamaria Fernanda. Segundo a polícia, Fernanda estaria na casa de Bruno, no Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro, no dia em que Eliza e seu filho foram levados para o local para, posteriormente, serem sequestrados.


Os policiais ainda não revelaram qual papel essa mulher, que é loira e usa aparelhos, teria no caso. Ela foi citada no depoimento do menor de 17 anos, primo do goleiro.
Ontem, a mãe de Eliza Samudio, Sônia Moura, afirmou esperar que o goleiro Bruno não seja o pai de seu neto. Sônia obteve a guarda provisória da criança e disse que não pretende pedir pensão alimentícia. “Melhor seria se ele não fosse o pai porque iria, no futuro, me privar de certos sentimentos ”, disse.



Jornal Midiamax