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Eleições 2010: Primeira presidente e segunda mulher a administrar o Brasil, Dilma reflete tendência

A petista se tornou a primeira presidente da República e segunda mulher a governar o Brasil. A primeira foi a Princesa Isabel, que assumiu a regência no século XIX várias vezes enquanto o Imperador viajava.

Arquivo Publicado em 31/10/2010, às 22h30

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A petista se tornou a primeira presidente da República e segunda mulher a governar o Brasil. A primeira foi a Princesa Isabel, que assumiu a regência no século XIX várias vezes enquanto o Imperador viajava.

A eleição de Dilma Rousseff segue tendência política latinoamericana e representa o maior passo na direção da igualdade de gênero no país desde 1932, quando as brasileiras ganharam o direito de votar. A petista se tornou a primeira presidente da República e segunda mulher a governar o Brasil.


A primeira foi a Princesa Isabel, que assumiu a regência no século XIX várias vezes enquanto o Imperador viajava.


Na história recente, o movimento de chegada das mulheres ao poder na América Latina ganhou impulso em 2006, com a eleição de Michelle Bachelet como presidente do Chile. Na Argentina, com apoio do marido Néstor, Cristina Kirchner se tornou a primeira mulher presidente eleita no país em 2007, apesar de não ter sido a primeira mulher a chefiar o estado argentino.


Mais que um efeito de fórmulas marqueteiras baseadas nos anseios dos eleitores, a ascensão feminina no ambiente da administração pública é resultado de longo processo histórico.


Segundo José Eustáquio Diniz Alves, professor do mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências, desde a Revolução Francesa, que instalou o voto universal, mas excluiu as mulheres dessa “universalidade”, a luta pela igualdade de gênero tem sido constante.


O professor cita um autor contemporâneo à Revolução para mostrar que desde então já havia gente defendendo os direitos políticos femininos. “Não faltaram vozes defendendo os direitos iguais há mais de 200 anos. O Marquês de Condorcet foi um ardoroso defensor do voto feminino naqueles tempos revolucionários. Em 1790 ele escreveu o seguinte: Ou nenhum indivíduo da espécie humana tem verdadeiros direitos, ou todos têm os mesmos”, conta.


No Brasil, após o direito ao voto em 32, foi com a Lei 9504, de 1997, que mais um passo importante foi dado. Regulando as eleições, a lei definiu uma cota mínima de 30% para as candidaturas de ambos os sexos. Desde então, os partidos passaram a dar mais espaço para as candidatas, embora muitas vezes tenham enfrentado dificuldade até para preencher as chapas com o mínimo de mulheres necessário.


Na Europa a situação não é muito diferente. Mas existem países europeus com tradição de mulheres no poder. Na Irlanda, por exemplo, a presidência tem sido exercida por mulheres desde 1990. Deve-se, porém levar em conta que o país é parlamentarista e nunca teve uma primeira-ministra.


Os norte-americanos, nas últimas eleições, resolveram eleger o primeiro negro ao invés da primeira mulher presidente já nas prévias do partido Democrata, que escolheu Barack Obama e tirou Hillary Clinton da corrida presidencial.


Na África, com participação feminina mais acentuada, o motivo apontado pelos analistas são as constantes guerras étnicas que acabam matando mais homens do que mulheres.


Brasil feminino


E não é apenas na política que as mulheres ganham destaque no Brasil. Há alguns anos as brasileiras já têm nível de escolaridade superior ao dos homens e ocupam mais vagas no ensino superior.


No mundo corporativo, no entanto, a situação não acompanhou as mudanças. Segundo dados do Instituto Ethos, nas 500 maiores empresas nacionais apenas 13% dos cargos de direção estão nas mãos de mulheres.


Da Princesa Isabel, que governou as terras brasileiras por um período total de aproximadamente três anos, sempre interinamente e à sombra do Imperador, até Dilma Rousseff, que assume o controle da nação nos próximos quatro anos legitimada pela escolha de 55,59% dos votos válidos em eleição direta e universal, o Brasil dá um enorme salto histórico rumo à igualdade de gênero.

Jornal Midiamax