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Eleição no meio do feriado deve tirar mais votos de Serra

Este ano, as eleições presidenciais correm o risco de ter maior abstenção no segundo turno, já que a data, em 31 de outubro, cai no meio de um feriado prolongado – dia 2 de novembro (terça-feira) é Dia de Finados. Para o professor Ricardo Caldas, da Universidade de Brasília, o fato pode ter efeitos mais […]

Arquivo Publicado em 22/10/2010, às 23h05

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Este ano, as eleições presidenciais correm o risco de ter maior abstenção no segundo turno, já que a data, em 31 de outubro, cai no meio de um feriado prolongado – dia 2 de novembro (terça-feira) é Dia de Finados.


Para o professor Ricardo Caldas, da Universidade de Brasília, o fato pode ter efeitos mais negativos na campanha de José Serra (PSDB) do que na de Dilma Rousseff (PT). Isso porque o tucano tem eleitores de maior renda e que costumam aproveitar os feriados para viajar.


– Caso a disputa seja apertada, uma maior abstenção pode fazer a diferença no resultado [da eleição].


Pesquisa Vox Populi, divulgada no último dia 18, mostra que a petista dispara entre os mais pobres, que ganham até um salário mínimo. Ela atinge 61% das intenções de voto contra 31% de Serra. Já o tucano vai melhor entre os que têm mais renda, ou seja, entre os que ganham mais de cinco salários mínimos. Ele chega a 44% contra 42% da petista.


Jacqueline Quaresemin Oliveira, do Instituto Opinare e professora da Fespsp (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo), não espera muita alteração nos índices de abstenção. Segundo ela, as classes A e B podem mesmo trocar o voto pelo feriado, mas muitas pessoas estão mobilizadas para as eleições e já têm uma opinião bem formada.


A pesquisadora avalia que o feriado não deve aumentar mais do que 5% na taxa de ausência, que, no primeiro turno, chegou a 18,12% dos eleitores. Jacqueline também concorda que, em uma disputa polarizada, quem corre mais riscos de perder votos é Serra.


O governo de São Paulo antecipou o feriado do Dia do Servidor, que seria em 28 de outubro, para o dia 11 deste mês. Antonio Mentor, líder do PT na Assembleia Legislativa de São Paulo, chegou a enviar uma representação à Procuradoria Regional Eleitoral questionando o fundo eleitoral da medida. O Estado tem cerca de 650 mil funcionários públicos.


A assessoria de imprensa do governo paulista afirmou que não houve uso eleitoral e que foi uma antecipação de praxe, para “beneficiar os servidores e a população”.


Ricardo Caldas cita também um evento semelhante que marcou as eleições no Rio de Janeiro em 2008, quando Eduardo Paes (PMDB) venceu a disputa pela prefeitura. O governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) deu ponto facultativo aos servidores às vésperas do segundo turno. Com isso, houve grande abstenção na zona sul, reduto eleitoral do candidato adversário, Fernando Gabeira (PV).

Jornal Midiamax