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Disputas estaduais têm equilíbrio entre dilmistas e serristas

Candidatos a governo de Estado que apoiam Dilma Rousseff (PT) à Presidência da República lideram as pesquisas de intenção de voto em metade dos 10 maiores colégios eleitorais, enquanto aliados de José Serra (PSDB) estão à frente em três dos principais Estados. Tomando-se como base pesquisas recentes, dilmistas caminham para vencer no Rio de Janeiro, […]

Arquivo Publicado em 06/09/2010, às 19h45

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Candidatos a governo de Estado que apoiam Dilma Rousseff (PT) à Presidência da República lideram as pesquisas de intenção de voto em metade dos 10 maiores colégios eleitorais, enquanto aliados de José Serra (PSDB) estão à frente em três dos principais Estados.


Tomando-se como base pesquisas recentes, dilmistas caminham para vencer no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Ceará e Bahia, enquanto os candidatos que apoiam Serra no âmbito nacional têm boas chances de ficar com São Paulo, Paraná e Pará.


Não há favoritismo claro para os principais concorrentes em Minas Gerais e Santa Catarina, embora analistas consultados pela Reuters acreditem em vitória do tucano Antonio Anastasia para o governo mineiro e de Angela Amin (PP), neutra na disputa nacional, para o catarinense.


Mas o cientista político David Fleischer, da Universidade de Brasília (UnB), não acredita que, se Dilma confirmar a liderança nas pesquisas e vencer, a oposição use o peso dos dois maiores colégios eleitorais do país para bater de frente com a petista. Ele lembrou que governos estaduais e o federal “têm interesses semelhantes”.


Na prática, a situação não seria diferente do que ocorreu nos dois mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando tanto São Paulo como Minas já eram comandados por tucanos –Geraldo Alckmin, nos primeiros quatro anos em São Paulo, seguido pelo hoje presidenciável José Serra, e Aécio em Minas. As relações nunca foram tensas.


Carlos Melo, cientista político e professor do Insper (antigo Ibmec), concorda com Fleischer.


“Precisa ter uma relação institucional, até por conta da dependência financeira e do menor número da bancada”, disse, em referência às projeções de que os partidos hoje na oposição devem ver suas representações reduzidas no Congresso a partir de 2011.


Caso Serra consiga reverter o cenário atual, Melo acredita que, mesmo em maior número, os governadores contrários a ele não representariam problemas para o tucano, ao menos no início de seu mandato.


“Não vejo ninguém fazendo o que o Itamar fez em 1999, quando pediu moratória da dívida”, disse Melo. Ele acrescentou que, se vencer, Serra “vai ter problemas” em compor uma maioria no Congresso, ainda mais com o esperado crescimento de PDT e PSB.


De acordo com estimativas de empresas de consultoria política e análise parlamentar, essas duas legendas devem aumentar de tamanho no Congresso, e amealhar um número maior de governos estaduais.


O PSB, por exemplo, tem praticamente asseguradas vitórias em Pernambuco, com Eduardo Campos, Ceará, com Cid Gomes, e Espírito Santo, com Renato Casagrande. E tem chances na disputa no Piauí, com Wilson Martins. Já o PDT aparece bem em Alagoas, com Ronaldo Lessa.


Esses cenários, disseram os analistas, podem sofrer modificações, visto que em alguns Estados, o número de indecisos ainda é elevado.


UM SENADOR POR TRÊS GOVERNADORES Preocupado em eleger sua sucessora e ao mesmo tempo garantir uma base sólida no Congresso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva incentivou o PT a fazer alianças pela cabeça de chapa nas eleições estaduais em nome da política de “um senador vale por três governadores”.


“No Senado (durante o governo Lula) havia uma brigada da oposição”, lembrou Melo. Por isso, acrescentou o analista, o presidente compreendeu que conquistar o Palácio do Planalto sem uma maioria sólida no Congresso representaria uma “vitória instável”.


Foi no Senado que Lula sofreu, até agora, as maiores derrotas de seus oito anos de governo, como o fim da cobrança da CPMF. Foi lá também que a oposição lhe impôs os maiores constrangimentos, como a CPI dos Bingos, que chegou a ser apelidada de “CPI do Fim do Mundo” pela forte participação de oposicionistas.


“Enquanto os governadores tendem a ter papel mais comedido nos primeiros dois terços do mandato, um senador não tem essa preocupação”, explicou Melo. “Se mantiver esse quadro, o PSDB sai pequeno e sem um aliado relevante, porque o DEM também estará menor, assim como o PPS”, comentou o especialista, que acredita em reacomodação dos campos governista e oposicionista após as eleições. Melo ponderou, no entanto, que eleição é sempre um processo muito volátil, podendo ter mudanças significativas nas próximas semanas. 

Jornal Midiamax