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Delegado pede exame toxicológico de noivo que matou noiva

A Polícia Civil de Pernambuco convocou, nesta segunda-feira, testemunhas do duplo homicídio ocorrido durante uma festa de casamento em Camaragibe, região metropolitana de Recife (PE). No último sábado (18), o supervisor de vendas Rogério Damascena, 29 anos, assassinou a tiros a esposa, Renata Alexandre, 25, e o chefe, o gerente financeiro Marcelo Zlocewick Guimarães, 40. […]

Arquivo Publicado em 20/12/2010, às 22h35

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A Polícia Civil de Pernambuco convocou, nesta segunda-feira, testemunhas do duplo homicídio ocorrido durante uma festa de casamento em Camaragibe, região metropolitana de Recife (PE). No último sábado (18), o supervisor de vendas Rogério Damascena, 29 anos, assassinou a tiros a esposa, Renata Alexandre, 25, e o chefe, o gerente financeiro Marcelo Zlocewick Guimarães, 40. Segundo a polícia, o irmão da noiva também foi atingido, mas passa bem e já teve alta.


Rogério e Renata haviam formalizado a união no civil na véspera. Marcelo era padrinho do casamento. Após alvejar as vítimas, o supervisor de vendas disparou contra a própria cabeça. Ele morreu no domingo (19), no Hospital da Restauração.


Apesar de não descartar qualquer hipótese – inclusive a motivação passional -, o delegado João de Brito Alves Filho, coordenador das Forças-tarefa do Departamento de Homicídios do Estado, adianta que a principal linha de apuração está “centrada na conduta do autor”.


Ele informa ainda que pediu o exame toxicológico de Damascena.


– Não trabalho só com a possibilidade de drogas ilícitas. Na festa, havia consumo de álcool e há pessoas que, quando ingerem muito a substância, podem ter desencadeado um surto psicótico. O álcool provoca euforia, mas também provoca fúria – justifica.


O delegado ressalta que não pode revelar detalhes do trabalho de investigação por razões “estratégicas”.


– Se houver uma divulgação pode ser que aja subtração de informações por parte de pessoas que ainda irão depor. Em relação à moça (Renata), era extremamente equilibrada. De concreto, podemos dizer que era uma jovem brilhante, bonita, muito querida pela família e pelos amigos. Tinha caráter. Não há qualquer indício que desabone a conduta dela – afirma.


De acordo com Brito, o duplo homicídio deixou em estado de choque os mais de 100 convidados que participavam da festa. Ele diz que segundo depoimentos informais, o casal aparentava ter uma relação tranquila.


– Todos foram surpreendidas de fato. Não houve nenhuma conversa no local do crime que demonstrasse atrito entre o casal. Foi a única situação que vi em toda literatura policial em que as pessoas saem de um casamento e, imediatamente, vão para um velório. É um caso macabro. Já presidi diversos inquéritos. Esse foi um dos que causaram mais comoção.


Premeditação


Para o delegado, não há dúvidas quanto à premeditação do crime.


– A arma estava na caminhonete de propriedade do autor. Num determinado momento da festa, ele falou: “vocês vão ter uma surpresa”. Foi até o veículo, as pessoas ficaram aguardando e, aí, ele voltou, dizendo que era o momento da surpresa. Foi quando puxou a arma e disparou.


Brito diz que um dos trabalhos da investigação foi checar se Damascena tinha histórico de problemas mentais.


– Fizemos um levantamento completo aqui, na região metropolitana de Recife, e ele não tem passagem por hospitais psiquiátricos. Ele, inclusive, foi submetido ao psicotécnico da empresa onde era empregado.


Arma do crime


O delegado conta que a arma do crime, uma pistola calibre 380, não foi localizada ainda.


– A partir das testemunhas, vamos traçar uma trajetória para essa arma. Alguém, evidentemente, a retirou do local. Essa pessoa será identificada e responderá por porte ilegal.


Renata foi baleada na cabeça e no tórax, assim como Marcelo, que teve ainda o pulso atingido. Para Brito, a tragédia poderia ter sido maior.


– Só não foi porque o amigo dele que morreu tentou desarmá-lo. Se não fosse o heroísmo desse cidadão, a situação seria pior. Se é que uma tragédia pode ficar pior.

Jornal Midiamax