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Com informes de moradores, aumenta a área de buscas pela onça “fujona” em Campo Grande

Com informes de moradores da região norte da Capital sul-mato-grossense, a área de busca se ampliou para o entorno da reserva do Parque dos Poderes, onde fica a sede administrativa do governo estadual.

Arquivo Publicado em 31/10/2010, às 11h20

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Com informes de moradores da região norte da Capital sul-mato-grossense, a área de busca se ampliou para o entorno da reserva do Parque dos Poderes, onde fica a sede administrativa do governo estadual.

Com a “fuga” de uma onça-pintada em plena região urbana de Campo Grande na última semana, o maior carnívoro terrestre do Brasil ganhou destaque nas notícias nacionais e já preocupa moradores na região do Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (Cras), onde o felino de oito meses de idade era mantido e alimentado por tratadores.


A onça “fujona” foi resgatada em Água Clara há cerca de seis meses, e por isso perdeu a fase de amamentação. Atualmente ela está com 50 quilos. Na manhã de sexta-feira (29), o felino estava na jaula e se assustou com a investida de uma anta contra as grades. Com isso, a porta se abriu e a onça-pintada fugiu para a reserva ecológica do Parque dos Poderes.


Buscas continuam


Desde então homens da Polícia Militar Ambiental, mateiros e técnicos da ONG Pró-Carnívoros, ajudados por cães farejadores, buscam o animal na região. Com informes de moradores da região norte da Capital sul-mato-grossense, a área de busca se ampliou para o entorno da reserva do Parque dos Poderes, onde fica a sede administrativa do governo estadual.


Na manhã deste domingo (31) completaram-se 48 horas de buscas. Segundo a PMA, a população das proximidades pode ajudar com informes pelo telefone (67) 3314-4920. Os especialistas consideram pouco provável o encontro da onça-pintada com moradores devido aos hábitos do animal. Entre as presas naturais da espécie estão queixadas, antas, jacarés e capivaras – estas muito comuns na região do Parque das Nações Indígenas.


Sobre a onça-pintada


Maior carnívoro terrestre do Brasil, a onça-pintada pertence à espécie Panthera onca. Seu peso na fase adulta pode chegar a 130 quilos, e ela possui o corpo robusto, compacto e musculoso. Características que fazem do animal um excelente caçador. O Ibama lista a onça-pintada como animal ameaçado de extinção no país desde 2003, mas no Uruguai e em El Salvador não há mais ocorrência desta espécie. Na Bolívia, a caça do animal ainda é permitida. O principal refúgio da onça-pintada no Brasil é a região amazônica.


Diferente de felinos comuns, como os gatos, as onças-pintadas são capazes de emitir um som forte e grave conhecido como esturro. Outra peculiaridade diz respeito à pelagem, que varia do amarelo-claro ao castanho e é marcada por manchas pretas em forma de rosetas de tamanhos variados. Cada exemplar possui um padrão único de manchas que serve para distinguir membros de um mesmo grupo.


Hábitos


Em hábitats abertos, como o Cerrado, as onças-pintadas preferem fazer atividades no período noturno. Já em matas densas, elas são mais ativas durante o dia. No Pantanal, por exemplo, um macho pode ocupar uma área que chega a 100 quilômetros quadrados.


A onça-pintada demarca território com fezes, urina e marcas ou arranhões deixados nos troncos das árvores. Os indivíduos desta espécie passam a maior parte da vida solitariamente, e apenas interagem com os outros no período de reprodução. Um macho é capaz de acasalar com várias fêmeas.


O tempo de gestação da onça-pintada pode chegar a 115 dias, e é mais comum que nasçam dois filhotes por ninhada. Em geral, os filhotes mamam até o sexto mês e acompanham a mãe até um ano e meio de idade. A expectativa de vida do felino é de 12 anos na vida selvagem e até 20 anos em cativeiro.


Conflitos com o homem


A convivência entre o homem e a onça é conflituosa. Por causa do desmatamento acelerado das matas pelo ser humano, os hábitats de dezenas de espécies estão acabando. Sem presas naturais para caçar, as onças-pintadas passam a procurar outros locais de alimentação, e não raras vezes atacam o gado nas fazendas.


O abate indiscriminado também preocupa, porém, matar onças no Brasil é ilegal. Entre as práticas positivas em relação aos felinos silvestres, estão: usar cercas para impedir que o gado entre na mata; não caçar onças nem suas presas.


Encontro com a Onça: o que fazer


Se você se deparar com uma onça, a primeira coisa a fazer é manter a calma. Jamais dê as costas para o animal. Caminhe lentamente para trás, sem tirar os olhos da onça, até alcançar uma distância segura para seguir seu caminho. A onça provavelmente vai fazer o mesmo.


Não se esqueça que as aparências enganam: um dos bichos que mais mata seres humanos no mundo é o mosquito. Até mesmo os cachorros domésticos preocupam mais do que as onças.

Jornal Midiamax