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Coleta seletiva na capital somente no ano que vem, promete prefeitura ao MPE

Mesmo que o cidadão separe em casa o material seco (plásticos, vidros, papéis) do úmido (restos de comida), o lixo acaba sendo misturado durante o recolhimento e o descarte se dá no mesmo local: o lixão.

Arquivo Publicado em 28/10/2010, às 12h10

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Mesmo que o cidadão separe em casa o material seco (plásticos, vidros, papéis) do úmido (restos de comida), o lixo acaba sendo misturado durante o recolhimento e o descarte se dá no mesmo local: o lixão.

Os moradores de Campo Grande só vão começar a perceber a coleta seletiva na cidade a partir do ano que vem. Embora a prefeitura municipal já promova ações pontuais no tratamento de certos tipos de resíduo urbano, há muito a se fazer para que o lixo doméstico e comercial possa ser reaproveitado como reciclável.

Alguns projetos foram colocados em prática, como a criação de ecopontos (locais de captação e processamento de lixo seco), e a coleta e reciclagem de óleo de cozinha, lançada pelo prefeito Nelson Trad Filho na semana passada. As ações integram o Programa de Coleta Seletiva, criado em 2009 e que envolve a participação de técnicos de seis secretarias e um instituto municipal.

Entretanto, mesmo que hoje o cidadão separe em casa o material seco (plásticos, vidros, papéis) do úmido (restos de comida), o lixo acaba sendo misturado durante o recolhimento, e o descarte se dá no mesmo local – o lixão.


De acordo com o secretário municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (Semadur), Marcos Cristaldo, Campo Grande deve esperar até dezembro de 2011 para que todas as etapas previstas no Programa de Coleta Seletiva estejam concluídas.


O prazo foi firmado entre a prefeitura e o Ministério Público Estadual em fevereiro deste ano, por meio de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para solucionar a questão do lixão e das famílias que exploravam o local como meio subsistência.


Entre as etapas a serem concluídas, estão: capacitação dos 76 sucateiros cadastrados na cidade; instalação de novos ecopontos; criação de locais de entrega voluntária (para resíduos que não podem ser descartados no lixo, como óleo, pilhas, e materiais contaminantes); implantação da Unidade de Processamento de Lixo (UPL); conclusão do novo aterro sanitário, em substituição ao atual lixão; construção de um residencial com 230 casas populares para atender às famílias do lixão; e introdução do caminhão porta-a-porta, que fará a coleta do lixo seco residencial e comercial.


É precisamente esta parte do programa – o caminhão porta-a-porta – que ficará visível ao cidadão. De acordo com o projeto, as regiões centrais e do entorno serão atendidas inicialmente. Já os bairros periféricos terão mais ecopontos.


Marcos Cristaldo explica que não basta ativar um serviço isoladamente se as demais etapas não estiverem prontas. “O porta-a-porta é a última etapa do programa, ele fecha o programa que já está acontecendo, e tem que ser uma coisa bem compassada. Não pode inaugurar um aterro novo se não tem a UPL pronta”, exemplifica.


Sobre a UPL, o secretário informou que a prefeitura conta com recursos do BNDES para a construção do galpão, e o local será explorado pela empresa vencedora de um edital ainda a ser encerrado. O investimento total do Programa de Coleta Seletiva chega a R$ 12,9 milhões, com recursos de parceiros e contrapartida do município.


Recicláveis em números


Campo Grande gera hoje 700 toneladas de lixo por dia, sendo 280 toneladas de recicláveis. Uma pesquisa realizada em 2009 estima que até 40% de todo resíduo produzido na cidade pode ser reaproveitado.


Oito grandes empresas processam mais de 6 mil toneladas de recicláveis por mês e os convertem em matéria-prima para as indústrias, como alumínio, plásticos e papel. O setor gera cerca de 5 mil empregos diretos e indiretos.

Jornal Midiamax