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Cirurgias eletivas estão suspensas no Hospital Regional, mas diretoria nega

HR cortou leitos em vários setores, suspendeu cirurgias eletivas e enfrenta problemas para agendar exames.

Arquivo Publicado em 29/10/2010, às 11h30

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HR cortou leitos em vários setores, suspendeu cirurgias eletivas e enfrenta problemas para agendar exames.

O atendimento de saúde para a população de Mato Grosso do Sul dá sinais de que precisa de um check-up. Os problemas ficam mais evidentes na rede hospitalar de Campo Grande, que atende um número elevado de pacientes, boa parte deles vindos do interior.


A diretoria do Hospital Regional Rosa Pedrossian – administrado pelo governo do Estado – recebeu a ordem de cortar gastos urgentemente, e com isso o atendimento na instituição começa a ser afetado.


Todas as cirurgias eletivas marcadas para os pacientes do HR estão suspensas. Até mesmo as cirurgias marcadas para pacientes internados que têm alta para retorno posterior, com operações já programadas, foram adiadas sem nova previsão.


Um informe afixado nos murais do HR diz ainda que os pacientes internados devem ser operados nas salas de emergência do Centro Cirúrgico, e cabe aos profissionais avisar o Centro Cirúrgico se há a disponibilidade de uso do local.


São consideradas cirurgias eletivas aquelas que não são casos de urgência. Em contato com a reportagem, uma leitora informou que procurou o Hospital para questionar sobre a possibilidade de fazer a cirurgia. A paciente foi informada que as cirurgias estavam suspensas, pelo menos até janeiro do próximo ano.


O documento é datado de 26 de outubro de 2010 e tem a assinatura da coordenadora das unidades de internação, Elaine Cristina de Oliveira Campos. Procurada para dar esclarecimentos, a assessoria de imprensa da governadoria – responsável pela comunicação dos órgãos públicos estaduais – informou que a diretoria do Hospital Regional ainda não havia se pronunciado sobre o assunto.


Corte de gastos


A diretoria do HR anunciou aos funcionários na semana passada que irá reduzir o número de leitos para cortar gastos. A informação foi confirmada pela direção clínica, que prefere tratar o assunto como uma “discussão interna”.


Mas, de acordo com servidores ligados à Secretaria Estadual de Saúde, a ordem de reduzir custos partiu do próprio governo, pressionado pelos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal. Atualmente o Hospital Regional contaria com 253 leitos para várias especialidades, segundo dados oficiais do Cadastro Nacional de Estabelecimentos em Saúde (CNES) do Ministério da Saúde.


O setor de radiologia do Hospital Regional também sofre com o enxugamento das contas da instituição. Quem tenta marcar exames de ultrassonografia e tomografia precisa agendar os procedimentos para datas posteriores ou ser encaminhado à Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), para tentar a consulta em outro local.


A direção do HR também confirma o agendamento para datas posteriores, mas não diz se os supostos problemas têm a ver com a redução de despesas.


Fila na radioterapia


Agora, o Ministério Público Federal quer entrar na briga para reverter o quadro de incertezas na saúde. Os exames de radioterapia – necessários para quem está em tratamento contra o câncer – só são realizados em clínicas e hospitais particulares do Estado. Nenhuma instituição pública oferece este atendimento, diz o órgão.


De acordo com o MPF, a fila de espera da radioterapia chega a 166 pacientes, mas em vez de diminuir, só aumenta. Nos últimos seis meses, houve registro de 20 a 60 novos pedidos de exame por mês. E estes números podem ser maiores, já que algumas prefeituras do interior estariam enviando os doentes para tratamento em outros estados.


Hoje existe uma clínica e dois hospitais particulares – do Câncer em Campo Grande, e Evangélico em Dourados – habilitados a este procedimento. Os repasses do poder público para exames radiológicos giram em torno de R$ 70 mil por mês, mas permitem o atendimento de apenas 17 pacientes. Este seria o motivo do crescimento da fila, na opinião do procurador regional dos Direitos do Cidadão, Felipe Fritz Braga.


“O paciente oncológico que precisa de radioterapia no Sistema Único de Saúde de Mato Grosso do Sul está nas mãos de instituições privadas. Se não quiserem ou não puderem atender, o paciente tem de viajar para outros estados”, afirma Fritz Braga.


O MPF cobra da prefeitura de Campo Grande e do governo do Estado a estruturação da radioterapia na rede pública de saúde. Além disso, todos os pacientes de câncer que se sentirem prejudicados pela lentidão no atendimento estão convocados a comparecer à sede do MPF para ajudar na apuração do caso.


Promessa de governo


As secretarias municipal e estadual de Saúde comprometeram-se com o MPF a apresentar, no dia 17 de novembro, uma proposta para acabar com a fila de espera. Uma das alternativas emergenciais seria aumentar o repasse à clínica particular, que aceita novos pacientes.


O governo do Estado prometeu ainda implantar a radioterapia no Hospital Regional, mas isso depende da apresentação de um projeto.


O MPF também quer que o Hospital Universitário – administrado pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – reative o setor de radioterapia, desativado há dois anos. A direção do hospital informou que o setor passou por manutenção e já estaria pronto para funcionar.

Jornal Midiamax