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Casa de Rigo, deputado que entregou esquema de propinas no Parque dos Poderes, é pichada

Deputado de seis mandatos disse que dinheiro da Assembleia Legislativa era repartido com R$ 2 milhões para o governador, além de supostas "devoluções" para o TJ-MS, o MPE e deputados

Arquivo Publicado em 24/09/2010, às 14h38

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Deputado de seis mandatos disse que dinheiro da Assembleia Legislativa era repartido com R$ 2 milhões para o governador, além de supostas “devoluções” para o TJ-MS, o MPE e deputados

Os muros da casa do primeiro-secretário da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, o deputado estadual Ary Rigo, 63, do PSDB, amanheceram pichados. Numa delas, o pichador escreveu: “construído com o meu $”.

O parlamentar tucano, há quase três décadas deputado estadual, protagonizou um escândalo nessa semana que deve motivar uma investigação que implica as mais graúdas autoridades estaduais, entre as quais o próprio Rigo, o governador do Estado, representantes do Tribunal de Justiça e do Ministério Público.

Sem que soubesse que era gravado com uma câmera da Polícia Federal, Ary Rigo revelou uma suposta trama em que parte do dinheiro da Assembleia, captado por meio de duodécimos, era repartida entre o governador André Puccinelli, do PMDB, um desembargador e ex-chefe da MPE, o procurador Miguel Vieira.

O recurso, segundo declaração do parlamentar, agia como uma espécie de troca de favor. O material atraiu a atenção da mídia nacional e pode ser visto no You Tube, rede mais famosa do mundo em compartilhamento de vídeos.

Os muros da casa de Rigo, uma suntuosa construção erguida na Rua das Garças, na Vila Célia, região nobre da cidade foram pichados duas vezes: a que desenhou o cifrão e noutra com essa citação: “casa do cupincha”.

O parlamentar ainda não se manifestou acerca da pichação.

Ele disse anteontem, em coletiva de imprensa, que o vídeo em que aparece falando sobre o suposto esquema foi “editado” e negou a partilha do dinheiro em troca de favores.

Puccinelli também refutou a acusações. Já os comandos do TJ-MS e MPE disseram que vão investigar os membros dos órgãos citados na gravação e que interpelaram judicialmente o parlamentar. A corregedoria da Assembleia também abriu investigação contra Rigo, que disse no vídeo que cada deputado estadual recebia uma cota R$ 120 mil mensais. Os parlamentares negaram o valor da quantia.

Jornal Midiamax