Geral

Carne, celulose e açúcar puxam exportações de Mato Grosso do Sul com 55% de crescimento em 2010

A industrialização, apontada durante muito tempo como grande necessidade para a economia de Mato Grosso do Sul deslanchar, deve atingir em 2010 a marca dos 2 bilhões de dólares.

Arquivo Publicado em 17/12/2010, às 12h19

None

A industrialização, apontada durante muito tempo como grande necessidade para a economia de Mato Grosso do Sul deslanchar, deve atingir em 2010 a marca dos 2 bilhões de dólares.

A industrialização, apontada durante muito tempo como grande necessidade para a economia de Mato Grosso do Sul deslanchar, deve atingir em 2010 a marca dos 2 bilhões de dólares. Apesar de pequeno, se comparado com outros setores, o número representa um aumento de 55,6%, comparado com o mesmo período no ano passado.


Em 1990, a indústria era responsável por apenas 13% do PIB sul-mato-grossense. Segundo os dados mais recentes do IBGE, o setor continua sendo o menos importante, atrás do setor de serviços e da agropecuária, mas a participação saltou para 19% nesta década.


A industrialização de MS, porém, tem o “dna” do agronegócio. Além da participação expressiva da exportação de carne, que teve um aumento nos preços internacionais, a industria do papel e celulose tiveram grande participação no avanço indutrial.


As exportações de produtos industrializados de Mato Grosso do Sul apresentam crescimento de 55,6% de janeiro a novembro deste ano com relação ao mesmo período do ano passado, conforme levantamento do Radar Industrial da Fiems com base nos dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).


Enquanto nos 11 meses deste ano as receitas totais alcançam US$ 1,9 bilhão, no mesmo período do ano passado as vendas externas do Estado somaram R$ 1,2 bilhão.


Segundo o presidente da Fiems, Sérgio Longen, os dados apurados pelo Radar Industrial reforçam a previsão de fechar o ano de 2010 com US$ 2 bilhões de receita com a exportação de produtos industrializados. “A elevação dos preços internacionais para o complexo carne e o interesse crescente da Europa e Ásia pelo papel e celulose produzido no Estado são os principais responsáveis por esse avanço. Também não podemos esquecer da retomada das vendas externas do nosso minério e a alta demanda pelo açúcar”, analisou.


A receita obtida somente com a exportação de industrializados de janeiro a novembro deste ano já supera a receita total de vendas ao exterior – incluindo todas as outras categorias de produtos exportados pelo Estado – obtida em igual período do ano anterior por Mato Grosso do Sul, quando ela foi igual a US$ 1,7 bilhão.


Ainda no acumulado do ano, constata-se que a participação das vendas externas do setor industrial sobre tudo o que foi exportado pelo Estado é da ordem de 69,8%, indicando, deste modo, um crescimento de 1 ponto percentual sobre o resultado obtido em igual período do ano anterior, quando a participação era de 68,8%.


O Radar da Fiems também revela que em novembro as vendas externas de industrializados atingiram a marca de 80,4% de tudo o que foi exportado pelo Estado no mês, sendo que, quando comparado com o resultado de outubro, a participação relativa dos industrializados foi de 4 pontos percentuais maior.


Em receita, igualmente aos meses anteriores, novembro de 2010, que alcançou US$ 194,8 milhões – crescimento nominal de 49,5% sobre igual mês de 2009, quando o valor foi de US$ 130,4 milhões -, mantém o mesmo comportamento e também se consolida como o melhor resultado já obtido para o mês em toda a série histórica da exportação de industrializados.


Ainda no mês de novembro, a exportação de industrializados alcançou o equivalente a 400,7 mil toneladas, indicando, deste modo, um crescimento de 6,5%, em volume, sobre igual mês do ano anterior, quando as vendas externas somaram 376,1 mil toneladas. Já no acumulado do ano, o volume total alcança 6,1 milhões de toneladas, crescimento de 50% em relação à igual período de 2009, quando foi vendido ao exterior o equivalente a 4,1 milhões de toneladas de produtos industrializados.


Desempenho geral


No ano, nove dos 13 principais grupos de produtos industrializados exportados por Mato Grosso do Sul apresentaram crescimento em suas receitas, quando comparados com correspondente período do ano anterior. As exceções ficaram por conta dos grupos “Couros e Peles”, “Siderurgia, Metalurgia básica e Metal Mecânica”, “Compensados de madeira, móveis de madeira e madeiras trabalhadas” e “Cimentos”, enquanto os grupos “Carnes e Miudezas/Cortes, Peças e Carcaças – Complexo Frigorífico”, “Papel e Celulose, embalagens de papel ou papelão e demais artefatos de papel”, “Extrativo Mineral – Minerais Metálicos” e “Açúcar e Álcool” registraram importantes evoluções em suas vendas externas.


De modo semelhante aos últimos boletins, o “Complexo Frigorífico” apresentou um desempenho crescente sustentado, sobretudo, pela elevação ocorrida nas vendas de carnes desossadas e congeladas de bovinos, pedaços e miudezas congelados de galos e galinhas e outras carnes congeladas de suínos, que proporcionaram uma expansão, em receita, no comparativo com igual período de 2009, equivalente a 18%, 16% e 170%, respectivamente.


Em valores, o ganho adicional somado, decorrente das expansões observadas, foi da ordem de US$ 105,2 milhões. Deste modo, os três produtos em destaque passam a ser responsáveis por 90% de todo o ganho absoluto ocorrido, em 2010, nas vendas externas do complexo frigorífico sul-mato-grossense.


No caso do grupo “Papel e celulose”, o destaque, naturalmente, continua por conta da pasta química de madeira semibranqueada (celulose) que foi incorporada à pauta de industrializados no fim do primeiro quadrimestre do ano passado e que registrou, somente em 2010, uma receita de exportação equivalente a US$ 354,5 milhões ou 93% da receita total do grupo.


Outro importante produto é o papel fibra 150g/m², que começou a ganhar destaque no fim de 2009 e que neste ano até o mês de setembro alcançou a marca de US$ 20,4 milhões ou 5,3% do total. Por fim, os principais comparadores dos produtos do segmento de papel e celulose sul-mato-grossense, no ano, são a Holanda com 32,0% ou US$ 121,3 milhões e a Itália com 27,0% ou US$ 102,5 milhões.


Já no grupo “Açúcar e álcool”, no acumulado do ano, a receita de exportação alcançou o equivalente a US$ 315,5 milhões, indicando, sobre igual período de 2009, um crescimento nominal de 117% na receita, resultando num valor adicional de US$ 170,3 milhões. Já em volume, na mesma comparação, a variação foi de 69%, aumento superior a 320 mil toneladas. Em relação aos compradores, os principais, até o momento, são a Rússia com US$ 53,9 milhões ou 17,1%, Índia com US$ 51,3 milhões ou 16,3%, Malásia com US$ 24,8 milhões ou 7,9% e Argélia com US$ 21,0 milhões ou 6,7%.


No grupo “Extrativo Mineral”, o valor alcançado, no ano, equivale a US$ 292,9 milhões. Com destaque para a retomada das exportações de minérios de ferro em bruto, que em 2010, somam US$ 273,0 milhões ou 94,0% da receita total do grupo. Resultando, deste modo, numa receita 188% maior que a obtida em igual período do ano passado, com um volume, na mesma comparação, superior em 62%.

Jornal Midiamax