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Atingidos por enchentes em Pernambuco estão morando em hospital

Mais de quatro meses depois das enchentes que devastaram Alagoas e Pernambuco, dezenas de habitantes de Água Preta (PE), distante 125 km de Recife, continuam abrigados no hospital da cidade, enquanto outros permanecem em acampamentos. Em 19 de junho, o Rio Una, que passa na localidade, transbordou depois de dias e dias de chuva forte […]

Arquivo Publicado em 25/10/2010, às 15h20

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Mais de quatro meses depois das enchentes que devastaram Alagoas e Pernambuco, dezenas de habitantes de Água Preta (PE), distante 125 km de Recife, continuam abrigados no hospital da cidade, enquanto outros permanecem em acampamentos.


Em 19 de junho, o Rio Una, que passa na localidade, transbordou depois de dias e dias de chuva forte e inundou as ruas. Com isto, o nome da cidade deixou de ser poético para se tornar tristemente descritivo.


“Foi terrível”, diz a moradora Ana Lúcia da Silva. “Nós perdemos a maioria das nossas coisas na enchente. A minha casa ainda está de pé, só, mas a água rachou as paredes e ela está condenada”.


Água Preta também foi atingida por enchentes em 1995 e em 2000, mas os estragos deste ano foram incomparáveis, diz Ana Lúcia. “Da última vez, a gente conseguiu voltar para casa, mas agora não.”


As enchentes de junho de 2010 afetaram 181 mil pessoas em Alagoas e 83 mil em Pernambuco, com um saldo de mais de 40 mortos. Dos 35 mil habitantes de Água Preta, 3,4 mil ficaram desabrigados.


O hospital-maternidade da cidade é o local onde Ana Lúcia e outras 100 pessoas estão alojadas desde então.


Algumas famílias moram em abrigos de madeira, erguidos nos pátios de hospitais, enquanto outros desabrigados – entre eles, Ana Lúcia – moram dentro do próprio hospital. Cada família ocupa um quarto.


Ana Lúcia está consideravelmente otimista para quem perdeu tanto. “Nós estamos conseguindo mantimentos. Comida, água, fraldas. Às vezes, a gente consegue roupas”, ela diz.


Segundo Ana Lúcia, as pessoas que estão no hospital foram avisadas de que terão de permanecer em abrigos temporários por vários meses, mas que depois elas serão realocadas em casas que estão sendo construídas pelo governo.


Outras pessoas parecem menos otimistas. No hospital, duas mulheres sentadas à sombra dizem que há casos de pessoas doentes no local.

Jornal Midiamax