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Amorim: fracassos não atrapalham novo papel na política externa

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou nesta segunda-feira, em Nova York, nos Estados Unidos, que os “fracassos” da política externa brasileira não “atrapalharam” o novo papel do Brasil no mundo. “A lista de fracassos da política externa brasileira no governo Lula é imensa. Mas todos, inclusive nossos críticos mais virulentos, reconhecem que o […]

Arquivo Publicado em 21/09/2010, às 01h06

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O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou nesta segunda-feira, em Nova York, nos Estados Unidos, que os “fracassos” da política externa brasileira não “atrapalharam” o novo papel do Brasil no mundo. “A lista de fracassos da política externa brasileira no governo Lula é imensa. Mas todos, inclusive nossos críticos mais virulentos, reconhecem que o Brasil tem hoje um novo papel no mundo. Pode até não ser por conta da política externa, mas ela não atrapalhou”, afirmou.


Em maio, Brasil e Turquia fecharam um acordo com o Irã para a troca de urânio pouco enriquecido por combustível nuclear, mas o Conselho de Segurança da ONU, três semanas depois, aprovou novas sanções contra o país. O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, rejeita suspender o enriquecimento de urânio, material de uso militar e civil. A comunidade internacional não aprova o programa nuclear iraniano porque teme que o país tente fabricar armas nucleares.


“Criticavam nossa ênfase em relação aos países em desenvolvimento e à África. Hoje, leio nos EUA artigos dizendo que a África, em conjunto, tem um PIB equivalente ao de um Bric (g’rupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China), a importância é clara. Quem sabe agora a imprensa brasileira não valoriza nossa aproximação estratégica com a África?”, disse Amorim, em entrevista coletiva após reunião da Comissão Interina para a Recuperação do Haiti, com a presença da secretária de Estado americana, Hillary Clinton. Para o ministro, o principal legado do governo do PT no Itamaraty é a “afirmação de uma política externa independente, não-subserviente”.


Segundo o chanceler, houve uma ênfase no incremento do processo de integração com os países latino-americanos, incluindo um aumento de comércio gigantesco com os países andinos. “Hoje, 47% da exportação manufatureira do Brasil vai para a região, um aumento de mais de 300% desde o início do governo Lula. Mas o maior ganho, para nós, é a paz na região, a manutenção da estabilidade democrática”, disse.


Na quinta-feira, Amorim fará um balanço dos oito anos de política externa do governo Lula na abertura da Assembleia-Geral da ONU. O ministro também se reúne esta semana com os representantes dos membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), onde enfatizará a necessidade de se ajudar o Guiné-Bissau. “Não apoiamos nenhuma solução punitiva. O Brasil pode ajudar na reforma militar necessária em Bissau, mas precisamos do apoio financeiro da Comunidade Europeia. É preciso garantir um sistema de pensões, com a aposentadoria de oficiais, para que os militares se afastem da vida política de Bissau. Repito: uma atitude de isolamento político será infrutífera em relação a Bissau”, afirmou.

Jornal Midiamax