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Stock Car: Thiago Marques estréia com pinta de campeão

A Stock Car, a principal categoria do automobilismo nacional, chegará a Campo Grande pela primeira vez no dia 16 de junho. Os pilotos vão acelerar os motores Vectras V8 no Autódromo Internacional de Campo Grande. Será a quinta etapa da temporada 2002. O Jornal Midiamaxnews trará a partir de hoje uma série de entrevistas com os principais pilotos.

Arquivo Publicado em 01/01/2000, às 12h00

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A Stock Car, a principal categoria do automobilismo nacional, chegará a Campo Grande pela primeira vez no dia 16 de junho. Os pilotos vão acelerar os motores Vectras V8 no Autódromo Internacional de Campo Grande. Será a quinta etapa da temporada 2002. O Jornal Midiamaxnews trará a partir de hoje uma série de entrevistas com os principais pilotos.

Thiago Marques, embora venha de uma família tradicional do Automobilismo nacional e internacional (Irmão do piloto de F-1 Tarso Marques, e filho de Paulo de Tarso dono de uma das mais vitoriosas equipes de Stock Car Action Power, e também piloto de diversas categorias de turismo brasileiro) só estreou como piloto na temporada de 2001 na Stock Car Light, e no ano de estréia já faturou o título com antecipação, o que lhe valeu uma vaga na principal categoria do automobilismo nacional, a StockCar V8. Vamos lá!

O que o levou a estrear no automobilismo, e porque logo a Stock Car Light, em vez do Kart ou de um monoposto?
A paixão pela velocidade sempre esteve junto comigo e com minha família, sempre acompanhei de perto meu pai e meu irmão, então seria impossível eu não pegar este vírus que é o automobilismo. Não iniciei no Kart por me achar um pouco passado da idade (20), e iniciar num monoposto sinceramente nunca me chamou a atenção, já que no ano passado o Brasil não tinha uma categoria com o alto nível da Stock Car, não só pelos pilotos, e competitividade, mas pelo evento em geral.

Na temporada do ano passado seus concorrentes não acreditavam no seu potencial, todos achavam que você se daria bem apenas em Curitiba devido à facilidade de treinos naquele autódromo. Como você administrou a vantagem obtida em outros autódromos?
Na realidade a pista em que não venci foi Curitiba, então isto não quis dizer nada, mesmo porque meu rendimento em outras pistas sempre foi melhor do que em Curitiba. Por outro lado, geralmente as pessoas se adaptam mais com suas pistas sedes, então teoricamente meus concorrentes tinham esta certeza sobre meus futuros resultados.

Sua família (pai e irmão) cobra resultados?
Eles não cobram, mas sim vão junto comigo atrás de melhores resultados. Sempre fomos muito unidos, o que sempre trouxe para todos nós muita alegria. Acho que é esta a fórmula do bom resultado… Eles nunca deixam a peteca cair, estão sempre me apoiando.

Eles ajudam, quero dizer, dão dicas? Elas são importantes, ou você pilota a seu jeito?
Eles me dão muitas dicas e procuro sempre pilotar do jeito que eles me ensinam. Aprecio muito a pilotagem do meu irmão (Tarso Marques),e é ele quem tento seguir. As dicas deles têm grande valia e até hoje nunca fizeram eu “andar para trás”.

Nos treinos classificatórios do ano passado, mesmo sendo sorteado para entrar no inicio do treino antes de seus principais adversários, você abortava a volta e ficava para sair no final. Isso era estratégia da equipe?
Algumas vezes sim, outras não. As estratégias que adotávamos no ano passado eram fantásticas, o que me favoreceu a conseguir excelentes resultados, por outro lado tive alguns problemas, os quais não estavam em nossos cronogramas.

Esse procedimento tem alguma vantagem?
A filosofia da minha equipe Action Power é de sempre traçar estratégias independente de o resultado for positivo ou não. Acho que sempre temos que arriscar – Isto faz parte para tentarmos atingir os nossos objetivos.

Com apenas uma volta válida para a classificação, sabendo que não pode errar, como fica o coração, a adrenalina?
O coração vai a 1.000. Na minha opinião é o momento mais emocionante do fim de semana. Você tem que pilotar no limite, seu e do carro, e ao mesmo tempo rezar para não escapar da pista. Em minhas voltas de classificação, em todas as retas rezo, para que na próxima curva eu consiga fazer da melhor forma, e mais segura possível. Durante as curvas a concentração e o medo andam juntos, e o mais impressionante é o alívio depois da linha de chegada.

É excesso de confiança, ou apenas muita concentração?
Ambos tem que estar 100% – Um carrega o outro…

O Omega da light é seis cilindros adaptados de um carro de rua, já o Vectra é um carro construído para corridas, inclusive com um motor muito mais potente de oito Cilindros. Qual é mais fácil de pilotar?
Sinceramente acredito que é o Omega – O Vectra é um carro mais na mão e sensível por outro lado exige um pouco mais de cuidado, já que qualquer escapadinha, é muro direto. O Omega lhe permite mais erros, porém é um carro mais macio e difícil de segurar nas curvas. A diferença entre os motores não me surpreendeu mesmo porque o 6cil acredito ter um torque mais forte em saída de curva.

Quais adversários você prefere: os da light ou os da Vectra V8?
Bons pilotos existem nas duas categorias. O ano passado enfrentei Pedro Gomes, Brunno Santos, Camilo, Bragantini, Greipel entre outros, pilotos estes que com certeza andariam bem na V8. Na Vectra já não tem nem o que falar, só tem fera, do primeiro ao último. pilotos com experiência de Fórmula 1, indy, etc… Inexperiente só tem eu!

Qual carro é mais fácil de acertar: Omega ou o Vectra?
Com certeza o Omega. O Vectra na minha opinião é um carro muito sensível até no acerto. Eu pelo menos, devido à minha inexperiência estou me batendo bastante. É impressionante qualquer milímetro pode significar 10 posições no grid.

Na 1ªetapa deste ano no Rio de Janeiro você deu um trabalhão aos Dinossauros, chegou a liderar a corrida por várias voltas deixando todos para trás. O que aconteceu na rodada que você deu na entrada dos boxes quando entrava para o reabastecimento, Faltou concentração?, foi o equipamento, ou como se diz no futebol- Amarelou?
Como é uma categoria muito equilibrada, qualquer milésimo que você consiga tirar sobre os concorrentes já é lucro, então foi isso que aconteceu. Vi que a entrada do box poderia ser um meio de eu tirar uma vantagem , e aí que me enganei!!!!! Perdi 7 posições! Mas de qualquer forma fiquei muito satisfeito com minha performance, tive a oportunidade de disputar com os grandes ídolos do automobilismo brasileiro, Chico Serra, Ingo Hoffmann, Xandy Negrão, etc …

O que está acontecendo, nas outras três etapas você não teve o rendimento da 1ª, é o carro? A equipe?
É o conjunto em geral. Na verdade não classifiquei em duas das três anteriores. A equipe está voltando agora, e o carro é novidade para todos nós, isto dificulta bastante os acertos nas diferentes pistas brasileiras. E como falei anteriormente, falta um pouco de mim mesmo para acertar o carro.

A equipe usa rádio que fala diretamente com o piloto, isso ajuda ou acaba tirando a concentração?
Depende do momento e da forma de falar. A pessoa tem que ter a maior objetividade possível. Peço sempre que falem comigo apenas nas retas para não tirar minha concentração nas curvas.

Na sua equipe que é comandada pelo seu pai tem um outro piloto o Cacá Bueno que está se saindo melhor que você, se fosse dada a mesma ordem que deram para o Rubinho na F-1, qual seria sua reação? Você desligaria o rádio?
Por enquanto está 2X2 entre eu e o Cacá, e dentro da equipe não tem primeiro piloto. Na última etapa em Londrina me falaram para deixar o Cacá me passar por ele estar mais rápido naquele momento da corrida, e se isto vier a acontecer novamente, terei que obedecer. Por incrível que pareça isto é normal em qualquer categoria do automobilismo mundial. Tenho certeza que o Cacá obedeceria da mesma maneira.

Fale sobre o futuro, pretende continuar no automobilismo nacional de turismo, ou vai para fora? Em que categoria?
Só deixaria o Brasil se fosse para duas categorias, NASCAR ou DTM. Não pretendo sair do Brasil, com certeza não me acostumaria em outro país sem meus amigos e minha família. Só sairia por algo realmente que me chamasse muito a atenção.

O que faz um piloto quando não está treinando ou competindo.
Sempre ter cuidados com a alimentação. Atualmente tenho corrido cinco quilômetros. por dia principalmente uma semana antes da corrida, isto é fundamental. Exercícios de musculação também são fundamentais, mas eu infelizmente não estou podendo fazer.

Gostaria que você mandasse um recado para os fãs do Automobilismo de Campo Grande MS onde será realizada a próxima etapa.
Confessar a eles que estou bastante ansioso para conhecer a cidade de Campo Grande, e ao mesmo tempo pedir a presença de todos, que com certeza será um grande evento.
Ah, não esqueçam de torcer para o carro número 7.

José Carlos Sério

Jornal Midiamax