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Presídios de Campo Grande apresentam falhas na segurança

Devido a falta de segurança mais rigorosa toda a mercadoria entra livremente dentro do Complexo Penitenciário

Arquivo Publicado em 01/01/2000, às 12h00

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Devido a falta de segurança mais rigorosa toda a mercadoria entra livremente dentro do Complexo Penitenciário

Hoje, a fragilidade do Sistema Penitenciário foi colocada mais uma vez em destaque, pois está se tornando um problema quase crônico em Campo Grande. A falta de efetivo e a superlotação seriam alguns dos agravantes da ineficiência da segurança dos presídios.

Segundo informações de um policial que preferiu não se identificar, o complexo penitenciário de Campo Grande – formado pelo Instituto Penal (IPCG) e pelo Estabelecimento de Segurança Máxima, localizados na saída para Três Lagoas -, conta com cerca de 16 torres, mas em virtude da falta de efetivo, apenas três torres estão em funcionamento, sendo que uma é no Instituto e duas são na Máxima.

“O número de policiais é muito pequeno para garantir a segurança do local, que necessita urgentemente do dobro do efetivo, que ainda assim seria insuficiente”, disse o policial.

O Comando Geral da Polícia Militar informou que já está sendo realizado um levantamento para saber qual o número de PMs que trabalha no local, e só depois de uma avaliação, a falta de policiais poderá ser realmente comprovada, e se isso ocorrer a PM deverá reforçar a guarda do presídio.

OPERAÇÃO PENTE FINO – Durante todo o dia de hoje, os agentes penitenciários realizaram uma “Operação Pente Fino” no Instituto Penal de Campo Grande e no Presídio de Segurança Máxima da Capital. Ao todo, foram apreendidos cerca de 15 celulares, 16 carregadores, seis facas artesanais, um pacote e 30 papelotes de maconha, 134 papelotes de uma substância que aparentemente pode ser cocaína ou pasta base e um galão que era utilizado para destilação de uma bebida alcoólica artesanal produzida pelos presos, onde foram encontrados aproximadamente 4,5 litros do líquido.

As apreensões comprovam a falta de uma segurança mais rigorosa, pois atualmente toda a mercadoria entra livremente dentro do estabelecimento.

SUPERLOTAÇÃO – Os dois presídios estão com 1.281 internos e têm capacidade para 640. A superlotação provoca brigas e tumultos nas unidades. Além disso, o grande número de visitas facilita a entrada de drogas e de celulares, que são usados pelos presos para se comunicarem com criminosos do lado de fora.

Segundo o diretor do Instituto Penal, Elvio Lapinski, muitas vezes as mercadorias (drogas, celulares e outros objetos) entram no local através do próprio muro, pois as pessoas muitas vezes jogam do lado de fora para dentro e com pouco policiamento é difícil impedir a entrada deste tipo de material. Além disso, as mulheres muitas vezes levam as coisas escondidas até mesmo dentro do seu órgão genital. “O prédio é muito próximo da rua. Sem o devido policiamento, a fuga de um dos detentos se torna mais fácil”, afirmou o diretor do IPCG.

Jornal Midiamax